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NOVO CURRÍCULO

Escolas da Inglaterra ensinam programação

Júlia Merker
// quarta, 10/09/2014 15:32

Desde o início de setembro, crianças a partir de cinco anos de idade têm aulas de programação nas mais de 160 mil escolas primárias da Inglaterra.

Entre cinco e sete anos, alunos aprenderão a escrever códigos. Foto: Ollyy/Shutterstock.com

Segundo a BBC, a mudança faz parte de uma série de alterações no currículo escolar de crianças entre 5 e 14 anos que acabam de ser postas em prática no país.

Segundo o Departamento de Educação, o objetivo é preparar as crianças para a vida moderna.

"Elas precisam aprender o básico de áreas chave, que são as mais valorizadas por universidades e empresas", disse uma porta-voz do governo.

O novo currículo dá mais importância a habilidades como redação de teses, resolução de problemas, modelagem matemática e programação.

Com as alterações, os estudantes também passam a ter aulas de tecnologia e design, em que aprendem sobre inovação e indústrias digitais, com aulas de impressão 3D e robótica.

Os alunos com idades entre cinco e sete anos aprenderão a escrever códigos de programação, a entender o que são algorítimos e a criar programas de computador simples.

Aos 11 anos, eles deverão ser capazes de "elaborar, usar e avaliar abstrações computacionais que modelam o comportamento de problemas do mundo real e físico".

Para o Departamento de Eduação do país, a computação tem ligações profundas com a matemática, a ciência, o design e a tecnologia. Assim, ela fornece insights tanto sobre os sistemas naturais quanto os artificiais.

A computação também permite que os alunos adquiram cultura digital e sejam “capazes de usar a tecnologia e se expressar através dela, a um nível adequado para o futuro local de trabalho e como participantes ativos em um mundo digital”.

As disciplinas “tradicionais” também serão afetadas. Em matemática, as crianças deverão aprender mais em uma idade mais precoce. Em Inglês, os alunos vão aprender mais Shakespeare e haverá mais importância em ortografia.

Para determinar as mudanças, o governo nomeou um painel de especialistas, que incluiu especialistas da área e professores. A ideia consistia em adaptar os sistemas escolares mais bem sucedidos do mundo, incluindo os de Hong Kong, de Singapura, da província canadense de Alberta e do estado americano de Massachusetts. 

O objetivo era combinar as melhores práticas internacionais com as melhores práticas de escolas inlgesas. O governo diz que o currículo tem um forte foco em competências básicas "unidas com a liberdade para os professores decidirem a melhor forma de ensinar". 

Um novo currículo para jovens entre 15 e 16 anos entrará em vigor a partir de setembro de 2015.

No Brasil, o assunto sobre a inclusão de programação nas escolas é pouco discutido. Provavelmente porque a área de educação ainda tem problemas em níveis mais básicos, como o ensino das disciplinas tradicionais.

Um teste realizado pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) revelou que o Brasil ficou na 38ª posição entre os 44 países participantes quando se trata de raciocínio lógico. No mesmo ranking, o Reino Unido ficou com a 11ª posição.

Em março de 2013, o movimento Todos pela Educação divulgou o relatório De Olho nas Metas revelando que apenas 10,3% dos estudantes entre 4 e 17 anos no Brasil sabem matemática proporcionalmente ao seu ano de ensino. 

Para colaborar com a mudança desse cenário, a ONG britânica Code Club, que tem o objetivo de criar clubes de programação para crianças, possui unidades no Brasil. O país conta com 44 clubes, espalhados em oito estados. 

Júlia Merker