Se for usar o celular na piscina, é melhor segurar ele firme, como essa moça. Foto: Pexels.

O Procon-SP notificou a Apple pedindo explicações sobre a negativa da empresa em dar garantia a 21 aparelhos anunciados como resistentes à água, após os mesmos apresentarem defeitos por contato com líquido.

De acordo com os consumidores, a empresa recusou-se a fazer o reparo (ou troca) alegando contato com líquido.

Agora, a Apple precisa apresentar os laudos de análise técnica referentes aos iPhones de cada um dos consumidores que registraram queixa no Procon-SP.

O lado deverá justificar o motivo da exclusão da garantia, provando que os consumidores fizeram utilização fora das condições indicadas, além de demonstrar qual a quantidade de líquido/umidade/água necessária para o acionamento do sensor de líquidos.

Os modelos envolvidos são os iphones 11, 11 Pro, 11 Pro Max, SE (segunda geração), XS, XS Max, XR, X, 8, 8 Plus, 7 e 7 Plus, ofertados como resistentes à respingos, água e poeira; e ainda os modelos XS, XS Max, 11 Pro Max, ofertados como resistentes à água, conforme ofertas nos sites do fabricante e de empresas do varejo.

A raiz do problema parece ser uma distinção de conceitos: um equipamento ser resistente à água é diferente de ser à prova d’água. 

A linha iPhone 7, lançada em 2016, foi a primeira a ser divulgada como resistente à água, de acordo com a norma técnica IP67.

A IP67 diz que um telefone pode ser considerado resistente à água quando consegue resistir a um mergulho ou um máximo de 30 minutos de imersão em água fresca.

Água fresca é diferente de água de piscina ou água do mar, ou outros líquidos como café, cerveja ou refrigerante, para citar só algumas coisas nas quais é possível submergir um celular.

Como dá para ver, é um critério que dá margem para a Apple divulgar a resistência à água dos seus produtos, ao mesmo tempo em que possibilita negar a garantia quando essa resistência é colocada à prova numa série de casos práticos na vida real, onde as pessoas não molham seus celulares em condições de laboratório.

Esse tipo de duplicidade não é um pecado apenas da Apple, é claro.

Um caso clássico foi protagonizado pela Sony, quem em 2015 divulgou o seu celular Xperia, que foi classificado como IP68, o que significa que o aparelho deveria resistir a 30 minutos em 1,5 metro de profundidade, ainda mais que os da Apple.

Nas suas fotos de divulgação, a Sony mostrava um grupo de amigos tirando fotos de celular debaixo d'água. 

Mais tarde, quando ficou claro que as pessoas seriam capazes de levar a propaganda da marca à sério, a Sony precisou vir a público dizer que os celulares não deviam ser usados debaixo d’água, uma vez que a certificação foi atingida em laboratório, com aparelhos em modo stand by.