Daniel Schnaider, CEO da Pointer By PowerFleet Brasil. Foto: divulgação.

Posso dizer que sou um defensor do estilo de liderança focado no desenvolvimento humano e um admirador da arte de delegar.

Uma empresa nada mais é do que a soma das pessoas que nela trabalham. Sem elas as organizações não existiriam. É por isso que eu defendo que haja uma mudança de nomenclaturas no universo corporativo.

O famoso CEO, Chief Executive Officer, deveria se chamar CPO, ou Chief People Officer, afinal o cliente é uma pessoa, o colaborador é outra, e o investidor uma terceira. Podemos dizer então, que liderança é sobre relacionamentos de sucesso.

Um verdadeiro líder é aquele que se adapta ao que o momento exige. Para isso deve ser apaixonado por evoluir pessoas dispostas a um novo normal que está em constante mudança, ontem eram tecnologias disruptivas, hoje vivenciamos uma pandemia, amanhã? Ninguém sabe.

Mas para conseguir fazer isso com sucesso, para si mesmo e para a empresa, ele precisa antes de tudo aprender a arte de delegar.

Muitos profissionais que trabalham de 12 ou mais horas por dia esperam ser elogiados pelos seus esforços. Ou entram em parafuso quando seus líderes o criticam. No entanto, centralizar funções é uma irresponsabilidade que afeta negativamente os resultados da empresa.

Funciona como uma pirâmide, e em uma análise mais simplificada, eu diria que existem dois motivos para uma pessoa alcançar um cargo de gestão. O primeiro, é porque provavelmente ela tem o perfil técnico e foi a que mais se destacou entre seus colegas, levando-a à promoção.

O outro, é porque simplesmente sabe fazer gestão. Não há certo ou errado aqui, mas é preciso ter um equilíbrio onde o maior desafio é a mudança deste balanço na linha do tempo, quando a empresa passa de ser pequena a média ou grande. Um bom gestor tem sim conhecimentos técnicos e específicos do negócio, mas sabe, sobretudo, gerir pessoas.

Apenas a título de comparação, imaginem que esses dois tipos recebam as mesmas demandas. Em seis meses, o líder técnico resolve duas etapas, enquanto o líder gestor apenas uma. Mais tempo se passa e o primeiro continua o seu ritmo.

O segundo já o alcançou. Mais um semestre adiante e aquele cara que é extremamente técnico continua entregando o mesmo, já o mais voltado à gestão performa três vezes mais – e com o tempo essa diferença apenas aumenta.

Essa história é real e se repete em milhares de empresas. Como e porque isso acontece? O líder de alto desempenho sabe transmitir seu conhecimento, consegue desenvolver as pessoas e colocar seu time para trabalhar de forma eficiente, ele delega funções.

Este perfil implementa processos, aplica metodologias e identifica as melhores práticas de gestão para cada caso. Já o líder estritamente técnico, por ser talvez o mais conhecedor do negócio em si, tende a ser mais centralizador. Ele entrega com qualidade, mas a longo prazo isso não se torna sustentável.

Mas por que há dificuldade em saber delegar? Simples, porque não se ensina.

Não há uma matéria sobre isso na faculdade, raro encontrar um MBA que se aprofunde no assunto, e muito menos uma empresa brasileira que treine seus funcionários para este ideal.

O desafio é entender que existe uma diferença entre terceirizar e delegar. Delegar vem com autonomia, responsabilidade e se refere a forma de pensar e na sua relação com a visão, missão e valores da entidade. Ou seja, o líder confia que você as siga.

Delegar é fundamental para excelência em gestão de riscos da empresa. Imagine se a pessoa centralizadora fica impossibilitada de exercer sua função por doença, férias ou outrem? Como sua equipe continuará o projeto sem saber a maior parte dele?

Quem não delega tem pouco tempo para pensar, compromete decisões estratégicas e não consegue lidar com oportunidades pontuais. Do ponto de vista estratégico, delegar com qualidade depende do nível que os envolvidos entendem de forma clara a os objetivos da empresa. 

Do ponto de vista tático e operacional, se lograr desenvolver uma equipe que se indentifica com o proposito, ela se auto motivará e lhe proporcionará mais tempo para realizar as poucas funções que não são delegáveis.

Afinal, delegar é mais sobre instituir processos e criar uma máquina de produtividade, do que ser produtivo, assim criando as condições para desenvolver estratégias e relacionamentos para vencer o jogo. Seja o chief people officer.

*Por Daniel Schnaider, CEO da Pointer By PowerFleet Brasil.