Sílvio Guido e Jim Quanci durante o Autodesk University.

A Autodesk quer dobrar nos próximos três anos o número de participantes do Autodesk Developer Network, atingindo 100 empresas no Brasil.

O programa da multinacional pelo qual empresas terceiras podem customizar e complementar softwares da companhia, criando novas soluções, está em crescimento no país, tendo quase triplicado nos últimos três anos quando o número de participantes saltou de 17 para 47.

No Sul, os parceiros incluem a revenda Grapho, a Universidade do Paraná, empresas como Cadgraph, Element, 3D Work, a construtora Intertechne e os centros de treinamento Render e Guru Editora.

“Pela maturidade do mercado local, é um número atingível. O Reino Unido tem 150 e a China 120, por exemplo”, afirma Jim Quanci, director do Autodesk Developer Network que esteve em São Paulo nesta terça-feira, 09, participando do Autodesk University Brasil.

Uma negociação que está em curso é com a Totvs, gigante brasileira de ERP, que lançará um produto voltado a aumentar a integração dos dados de projetos com os sistemas de gestão, revela Quanci.

“Estamos trabalhando continuamente em formação de profissionais para dar suporte a essa estratégia”, afirma Sílvio Guido, gerente sênior para América Latina do Autodesk Developer Network, destacando que foram treinados 150 pessoas ano passado e que para este a expectativa é chegar a 200.

Em nível mundial, são três mil parceiros no programa, incluindo revendas, instituições de ensino, clientes e empresas terceiras.

O foco tradicional das aplicações criadas por terceiros eram outros softwares que cumpriam funções específicas para as soluções da Autodesk, criados por canais especializados em um segmento da economia.

Mas, cada vez mais, empresas de uma pessoa estão fazendo uso das facilidades geradas pelo fenômeno da computação em nuvem, de APIs de empresas como Google e do uso crescente de mobilidade nas empresas para lançar apps mais simples para Android ou iOS.

“Hoje é possível fazer em dias coisas que antes demandariam milhões de dólares e um exército de programadores”, comemora Quanci, que está há 25 anos trabalhando na área de engenharia e design.

Um exemplo citado por Quanci é uma empresa americana que, a partir da API do Google Earth, criou uma solução que exporta a topografia de qualquer terreno para um app, permitindo fazer algumas demonstrações sobre o uso do terreno.

Outra simula como ficaria um determinado portão na casa de um cliente.

Mobilidade é uma das grandes apostas da Autodesk para o futuro. Recentemente, a multinacional chegou a marca de 90 milhões de usuários de soluções em smartphones e tablets.

O número significa que nos dois anos desde o lançamento do Autodesk WS, o primeiro aplicativo para iPhone, a empresa agregou sete usuários móveis para cada um dos softwares para desktop, que hoje totalizam 12 milhões.

A fonte da receita de US$ 1,92 bilhão da empresa em 2011 segue sendo o tradicional software de caixinha, vendido por milhares de dólares a unidade contra os US$ 1,99 ou nada cobrados pelos apps.

Mas mobilidade, cloud computing e aplicativos são mais do que uma boa ação de marketing para a Autodesk, o player no mercado de CAD que tem abraçado abertamente as novas perspectivas na área de TI.

* Maurício Renner participa do Autodesk University Brasil em São Paulo à convite da Autodesk.