Muitos sócios podem ser sócios demais. Foto: Rawpixel / Shutterstock

Um estudo da Fundação Dom Cabral com os fundadores de 221 startups, trouxe um dado chamativo: quanto maior o número de sócios de uma empresa nova, maiores a chance dela quebrar.

A cada sócio a mais que trabalha em tempo integral na empresa, a chance de fechamento da startup aumenta em 1,24 vez. 

“Muitas vezes, os interesses pessoais e profissionais dos sócios não convergem, resultando em problemas de relacionamento, além da incapacidade de adaptação de muitos deles às necessidades e mudanças do mercado”, pontua o coordenador do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral, Carlos Arruda. 

Para se ter uma ideia do peso específico de ter gente demais no barco, vale comparar a influência do número de sócios frente a fatores mais óbvios de sobrevivência, como o capital disponível para investir ou o ecossistema no qual a empresa está instalada.

Startups cujo capital investido cobre os custos operacionais pelo período de dois meses a um ano são 3,2 vezes mais suscetíveis de desaparecer do que as companhias com capital suficiente para cobrir os custos por um mês.

O interessante é que ter dinheiro demais também não influencia tanto. Na comparação com as empresas que tem recursos para cobrir os custos por mais de um ano de operação, as empresas com recursos de dois meses a um ano tem menos chances de fechar: “apenas” 2,5 vezes mais.

“Investir uma grande quantidade de recursos na startup antes de ela começar a faturar aumenta as chances de insucesso e indica que, para essas empresas, o melhor é ter foco na realidade do mercado. Quando o produto ou serviço atende às demandas reais, o caminho para a venda é mais curto e o negócio pode ser viabilizado com o capital dos próprios clientes”, explica Arruda.

Quando a empresa está em uma aceleradora, incubadora ou parque, a chance de descontinuidade da empresa é 3,45 vezes menor em relação às startups instaladas em escritório próprio ou sala/loja alugada.

E muitas startups fecham, como se sabe. Das 221 pesquisadas pela Dom Cabral, 91 já foram descontinuadas.  O estudo revela que 25% das startups morrem antes do 1º ano de vida; e a metade delas, em menos de 4 anos. 

RIO GRANDE DO SUL E PERNAMBUCO, FORTEs EM PARQUES

O estudo mostrou também grandes diferenças regionais sobre o ambiente no qual as startups tentam prosperar. 

No Rio Grande do Sul e Pernambuco, estados sedes de parques tecnológicos pioneiros no país como o Tecnopuc e o Porto Digital, elas tendem a se instalar em incubadoras, aceleradoras e parques. 

Em São Paulo e Paraná, é mais comum a prática do home-office, coworking e escritório virtual; no Rio de Janeiro e Minas Gerais, predomina a instalação da empresa em escritório próprio ou sala alugada. 

“Startups inseridas em incubadores, aceleradoras ou parques tecnológicos têm mais chances de sobreviver, pois oferecem o tempo necessário para que as empresas alavanquem seus negócios sem ter os custos de um espaço próprio, além de contribuir com incentivos educacionais, financeiros e de relacionamento", destaca Arruda.