Logo pode ter um carro preto nessa foto. Foto: flickr.com/photos/marianaheinz

O Uber está com mais duas vagas abertas para Porto Alegre, buscando um gerente de marketing e outro de operação e logística.

No final de setembro, o Baguete já havia revelado em primeira mão que o serviço de compartilhamento de carros (na visão da multinacional) ou o app de táxi (na visão de concorrentes, e, cada vez mais, reguladores brasileiros) estava em busca de um gerente geral para a capital gaúcha.

Na ocasião, a reportagem procurou o Uber, que afirmou não ter planos de expansão para Porto Alegre, mantendo-se apenas em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília.

A reportagem do Baguete procurou o Uber para saber se, apesar de seguir contratando profissionais na capital gaúcha, a empresa seguiria afirmando que não tem planos de operar o serviço em Porto Alegre. A empresa manteve a versão.

Na descrição das vagas, o Uber diz que a posição de gerente de logística e operações na capital gaúcha trabalhará próximo dos engenheiros em São Francisco para monitorar o comportamento dos motoristas e garantir a eficiência do serviço. A vaga pede de dois a quatro anos de experiência em consultoria, bancos de investimento, marketing ou gerência de operações.

A oportunidade no marketing busca um “dono” para aquisição de usuários, “altamente social” e capaz de representar o Uber em eventos na cidade. A descrição pede fluência em inglês.

Provavelmente, uma descrição mais realista das atividades do gerente do marketing do Uber tenham que ver com a tarefa de fazer lobby junto a formadores de opinião, meios de comunicação e os candidatos a prefeito nas eleições municipais de 2016 em prol da liberação do serviço, ou, no pior cenário, de um marco regulatório que não dificulte muito a operação do Uber.

Um cenário desse tipo estaria em linha com a estratégia de negar que está abrindo uma operação em Porto Alegre, apesar de contratar executivos locais. Nessa altura do campeonato, admitir a abertura só serviria para atrair mais a atenção dos taxistas e outros opositores, que, assim como em outra cidades, devem se mobilizar contra o app.

A reportagem do Baguete Diário questionou sobre o tema o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, minutos antes de um evento na prefeitura no final de setembro.

"Temos uma legislação sobre isso (transporte remunerado de passageiros) e vamos fazer valer a lei", se limitou a afirmar o prefeito, que preferiu não fazer maiores comentários sobre assunto, um tema espinhoso para políticos, que ficam divididos entre desagradar os taxistas, uma minoria mobilizada, ou parecer avessos a novas tecnologias, um pecado mortal nos dias de hoje.

As respostas de São Paulo e Rio de Janeiro, dois dos maiores mercados potenciais no pais do Uber, mostram como pode ser espinhoso o caminho do app no país.

No Rio de Janeiro, o prefeito do Eduardo Paes (PMDB), sancionou uma lei proibindo o Uber.

Segundo a lei aprovada, motoristas e empresas não regulamentados pela prefeitura que forem flagrados realizando transporte de passageiros na cidade deverão pagar multa de até R$ 2 mil.

Já São Paulo regulamentou o serviço de uma maneira que na prática é limita as possibilidades de expansão até o ponto em que podemos falar de uma "proibição branca".

Nesta quinta, 08, o prefeito Fernando Haddad (PT), anunciou a criação de 5 mil novos alvarás para transporte individual de passageiros e o lançamento de uma categoria de “táxi preto”, que só poderá operar por meio de aplicativos, entre eles o Uber. 

A prefeitura não divulgou o valor da nova licença, mas a Folha de S.Paulo afirma que o preço pode chegar a R$ 60 mil.

O Uber se opôs à regulamentação com o argumento algo diáfano de que “não é uma empresa de taxi e, portanto, não se encaixa em qualquer categoria deste tipo de serviço, que é de transporte individual público”.

De acordo com a nova proposta de São Paulo, os aplicativos deverão ser credenciados e só poderão operar com os 38 mil taxistas com alvarás na cidade – os 33 mil já existentes e cinco mil novos (pretos) que serão sorteados.

O Uber também poderá se credenciar, desde que se enquadre nas regras definidas pelo novo decreto, de acordo com a Prefeitura. Pela nota do Uber, isso não vai acontecer.

“Como os motoristas parceiros da Uber prestam o serviço de transporte individual privado previsto na Política Nacional de Mobilidade Urbana, a Uber aguarda essa regulamentação municipal. Enquanto isso, a Uber segue operando normalmente em São Paulo”, diz o documento,

Dessa forma, a Prefeitura de São Paulo poderá considerar o app ilegal, por não ter motoristas cadastrados no órgão governamental responsável.

Os cinco mil novos alvarás serão sorteados pela Caixa Econômica Federal e os motoristas que concorrerem precisam ter o Condutax – cadastro na Prefeitura que habilita o condutor a exercer a atividade de taxista.

A prioridade no sorteio dos cinco mil novos alvarás será de pessoas que trabalham como “segundo motorista” – em táxis cuja titularidade do alvará pertence a outra pessoa -  e já são registradas na Prefeitura (outra derrota para o Uber).

No entanto, o carro utilizado com esses cinco mil novos alvarás terá que ser preto, com quatro portas, ar-condicionado e com até cinco anos de uso - quesitos que fazem parte das exigências do Uber. A nova categoria não terá taxímetro e terá cobrança realizada pelo aplicativo.

No caso de Porto Alegre, a atual legislação só permite o exercício de serviços remunerados de transporte para motoristas registrados junto à Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), o que inviabiliza o início do Uber na capital gaúcha.

Entretanto, segundo a EPTC, as portas da cidade não estão fechadas para a multinacional. Para a entidade, assim como os taxistas, a companhia é bem vinda para um diálogo com o setor, com o objetivo de regulamentar o serviço na cidade.

Atualmente a capital gaúcha tem 3.920 táxis em circulação, com 10 mil motoristas credenciados a operá-los. Para a EPTC, a chegada do Uber, se regulamentada e alinhada com os taxistas, pode ser benéfica para a cidade.

Segundo a assessoria da EPTC, este ano a empresa se reuniu com o sindicato da categoria (Sintaxi) para discutir uma possível chegada no Uber por aqui. Em conjunto, foi definido que é melhor manter o diálogo aberto e não reproduzir as polêmicas que o serviço teve em outras cidades do país.