EQUIPE

Uber: mais vagas em Porto Alegre

10/10/2015 12:43

Vagas são para gerente de marketing e outro de operação e logística.

Logo pode ter um carro preto nessa foto. Foto: flickr.com/photos/marianaheinz

Tamanho da fonte: -A+A

O Uber está com mais duas vagas abertas para Porto Alegre, buscando um gerente de marketing e outro de operação e logística.

No final de setembro, o Baguete já havia revelado em primeira mão que o serviço de compartilhamento de carros (na visão da multinacional) ou o app de táxi (na visão de concorrentes, e, cada vez mais, reguladores brasileiros) estava em busca de um gerente geral para a capital gaúcha.

Na ocasião, a reportagem procurou o Uber, que afirmou não ter planos de expansão para Porto Alegre, mantendo-se apenas em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília.

A reportagem do Baguete procurou o Uber para saber se, apesar de seguir contratando profissionais na capital gaúcha, a empresa seguiria afirmando que não tem planos de operar o serviço em Porto Alegre. A empresa manteve a versão.

Na descrição das vagas, o Uber diz que a posição de gerente de logística e operações na capital gaúcha trabalhará próximo dos engenheiros em São Francisco para monitorar o comportamento dos motoristas e garantir a eficiência do serviço. A vaga pede de dois a quatro anos de experiência em consultoria, bancos de investimento, marketing ou gerência de operações.

A oportunidade no marketing busca um “dono” para aquisição de usuários, “altamente social” e capaz de representar o Uber em eventos na cidade. A descrição pede fluência em inglês.

Provavelmente, uma descrição mais realista das atividades do gerente do marketing do Uber tenham que ver com a tarefa de fazer lobby junto a formadores de opinião, meios de comunicação e os candidatos a prefeito nas eleições municipais de 2016 em prol da liberação do serviço, ou, no pior cenário, de um marco regulatório que não dificulte muito a operação do Uber.

Um cenário desse tipo estaria em linha com a estratégia de negar que está abrindo uma operação em Porto Alegre, apesar de contratar executivos locais. Nessa altura do campeonato, admitir a abertura só serviria para atrair mais a atenção dos taxistas e outros opositores, que, assim como em outra cidades, devem se mobilizar contra o app.

A reportagem do Baguete Diário questionou sobre o tema o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, minutos antes de um evento na prefeitura no final de setembro.

"Temos uma legislação sobre isso (transporte remunerado de passageiros) e vamos fazer valer a lei", se limitou a afirmar o prefeito, que preferiu não fazer maiores comentários sobre assunto, um tema espinhoso para políticos, que ficam divididos entre desagradar os taxistas, uma minoria mobilizada, ou parecer avessos a novas tecnologias, um pecado mortal nos dias de hoje.

As respostas de São Paulo e Rio de Janeiro, dois dos maiores mercados potenciais no pais do Uber, mostram como pode ser espinhoso o caminho do app no país.

No Rio de Janeiro, o prefeito do Eduardo Paes (PMDB), sancionou uma lei proibindo o Uber.

Segundo a lei aprovada, motoristas e empresas não regulamentados pela prefeitura que forem flagrados realizando transporte de passageiros na cidade deverão pagar multa de até R$ 2 mil.

Já São Paulo regulamentou o serviço de uma maneira que na prática é limita as possibilidades de expansão até o ponto em que podemos falar de uma "proibição branca".

Nesta quinta, 08, o prefeito Fernando Haddad (PT), anunciou a criação de 5 mil novos alvarás para transporte individual de passageiros e o lançamento de uma categoria de “táxi preto”, que só poderá operar por meio de aplicativos, entre eles o Uber. 

A prefeitura não divulgou o valor da nova licença, mas a Folha de S.Paulo afirma que o preço pode chegar a R$ 60 mil.

O Uber se opôs à regulamentação com o argumento algo diáfano de que “não é uma empresa de taxi e, portanto, não se encaixa em qualquer categoria deste tipo de serviço, que é de transporte individual público”.

De acordo com a nova proposta de São Paulo, os aplicativos deverão ser credenciados e só poderão operar com os 38 mil taxistas com alvarás na cidade – os 33 mil já existentes e cinco mil novos (pretos) que serão sorteados.

O Uber também poderá se credenciar, desde que se enquadre nas regras definidas pelo novo decreto, de acordo com a Prefeitura. Pela nota do Uber, isso não vai acontecer.

“Como os motoristas parceiros da Uber prestam o serviço de transporte individual privado previsto na Política Nacional de Mobilidade Urbana, a Uber aguarda essa regulamentação municipal. Enquanto isso, a Uber segue operando normalmente em São Paulo”, diz o documento,

Dessa forma, a Prefeitura de São Paulo poderá considerar o app ilegal, por não ter motoristas cadastrados no órgão governamental responsável.

Os cinco mil novos alvarás serão sorteados pela Caixa Econômica Federal e os motoristas que concorrerem precisam ter o Condutax – cadastro na Prefeitura que habilita o condutor a exercer a atividade de taxista.

A prioridade no sorteio dos cinco mil novos alvarás será de pessoas que trabalham como “segundo motorista” – em táxis cuja titularidade do alvará pertence a outra pessoa -  e já são registradas na Prefeitura (outra derrota para o Uber).

No entanto, o carro utilizado com esses cinco mil novos alvarás terá que ser preto, com quatro portas, ar-condicionado e com até cinco anos de uso - quesitos que fazem parte das exigências do Uber. A nova categoria não terá taxímetro e terá cobrança realizada pelo aplicativo.

No caso de Porto Alegre, a atual legislação só permite o exercício de serviços remunerados de transporte para motoristas registrados junto à Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), o que inviabiliza o início do Uber na capital gaúcha.

Entretanto, segundo a EPTC, as portas da cidade não estão fechadas para a multinacional. Para a entidade, assim como os taxistas, a companhia é bem vinda para um diálogo com o setor, com o objetivo de regulamentar o serviço na cidade.

Atualmente a capital gaúcha tem 3.920 táxis em circulação, com 10 mil motoristas credenciados a operá-los. Para a EPTC, a chegada do Uber, se regulamentada e alinhada com os taxistas, pode ser benéfica para a cidade.

Segundo a assessoria da EPTC, este ano a empresa se reuniu com o sindicato da categoria (Sintaxi) para discutir uma possível chegada no Uber por aqui. Em conjunto, foi definido que é melhor manter o diálogo aberto e não reproduzir as polêmicas que o serviço teve em outras cidades do país.

Veja também

TRANCOS E BARRANCOS
Uber chega a 500 mil usuários no Brasil

Desde 2014 no Brasil, app tem operações em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte.

GRAVAÇÃO
Rio de Janeiro terá um YouTube Space

No espaço, criadores do YouTube poderão produzir vídeos sem nenhum custo.

ILEGAL
Paes sanciona proibição do Uber no Rio

Decisão será publicada no Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro nesta quarta-feira, 30.

UBER
SP cria categoria de “táxi preto”

O Uber não concorda com a forma de regulação proposta.