Nelson Campelo.

A Algar Tech, empresa de de TI e BPO do grupo brasileiro Algar, fechou um acordo com a startup pernambucana Ustore para a criação de um portal multi-nuvem e uma “solução disruptiva” de cloud computing.

Fundada em 2007, a Ustore criou uma tecnologia para armazenamento de grandes volumes de dados, desestruturados e indexados em nuvens distribuídas, baseados numa infraestrutura criada na plataforma open source OpenStack.

A Algar entra no negócio com o seu data center e conectividade, além do acesso aos clientes.  

“Esse acordo reforça nossa proposta de garantir aos clientes uma gestão eficiente de recursos de tecnologia para dedicarem aos seus negócios”, explica Antonio Phelipe, Head de Infraestrutura de TI da Algar Tech. 

Com a novidade, a Algar Tech se reúne ao time de companhias tradicionais de TI buscando se posicionar como “brokers” das ofertas de cloud disponíveis no mercado e fechando acordo com startups no processo.

Ainda em abril, a UOLDiveo adquiriu a Dualtec foi uma das primeiras empresas no Brasil a se posicionar como uma “cloud broker” e uma referência em OpenStack. Dias depois, a Tivit fez um movimento igual, comprando a startup mineira One Cloud.

A entrada no novo mercado é importante para aumentar o faturamento da Algar em serviços de TI, que no ano passado superaram a metade do faturamento total de R$ 905,2 milhões, uma alta de 13% frente aos resultados de 2014.

A oferta  da Algar com a Ustore parece diferente do feito por UOL Diveo e Tivit. Na divulgação da parceria, as empresas não deram nenhuma informação sobre o modelo de negócios da oferta, mas ficou claro que a Ustore é uma fornecedora de tecnologia, e não uma aquisição.

“A Algar Tech possui uma estrutura de data centers moderna e competitiva que, complementada com as nossas soluções, garante uma prestação de serviços de nuvem com escalabilidade, segurança e eficiência”, explica Nelson Campelo, presidente da Ustore. 

Campelo, aliás, pode ser parte do motivo pelo qual a Algar não comprou a Ustore. Ex-country manager da Avaya e Head Business Solutions para América Latina da Nokia Siemens Networks, o executivo investiu na empresa em 2015, assumindo o comando.

Na mesma época, a Ustore contratou Fabiana Falcone para assumir sua área comercial. Fabiana trabalhou com Campelo na Avaya como gerente de contas sênior e acumula passagens pelas áreas de vendas de empresas como ZTE, Cisco, Huawei e Nortel.

O acordo com a Algar, cujo faturamento pode passar da casa do R$ 1 bilhão neste ano tem uma importância especial para a Ustore, uma vez que coloca a empresa solidamente no mercado privado, em um momento em que o governo federal parece se inclinar em uma direção pouco favorável para a empresa.

Criada em 2007 por um doutorado em Segurança de Sistemas na Universidade Federal de Pernambuco como um player nacional focado em fornecer software para administrar storage na nuvem.

Com esse foco, a empresa faturou R$ 1,8 milhão em 2013 e esperava fechar 2014 com R$ 5 milhões. 

No meio do caminho, no entanto, uma mudança de posicionamento do governo brasileiro sobre armazenagem de dados abriu um mercado potencial enorme para a companhia. 

Em novembro de 2013, como uma resposta às denúncias de espionagem pela NSA, a  presidente Dilma Rousseff assinou uma portaria determinando que os dados  do governo brasileiro sejam armazenados no país, em redes auditadas pela administração.

Especialistas da Ustore foram ouvidos nas discussões sobre o assunto. A empresa fechou um grande contrato para fornecimento de software para o novo data center do Exército Brasileiro e complementou sua oferta com um software de e-mail baseado em Zimbra e uma de comunicação baseada em Telegram.

Ou seja, a Ustore pivotou seu modelo de negócio (para usar o termo da moda) e se transformou na fornecedora de software para armazenamento, redes definidas por software e serviços de comunicação que o governo precisa para tentar fugir dos arapongas americanos.

Ainda no ano passado, a Ustore fechou um termo de compromisso com a RNP e Telebras para desenvolver uma solução para a distribuição e armazenamento de conteúdo de propósito geral. 

O projeto prevê inicialmente a construção de solução que atenda às necessidades do sistema educacional brasileiro, garantindo a qualidade no acesso a conteúdo educativo, cultural, profissionalizante e recreativo, além de apoio à gestão administrativa. 

Agora, no entanto, o novo governo Michel Temer começa a dar sinais de que software open source não está nas prioridades, como a preparação de uma grande licitação de produtos Microsoft. Eventualmente, a mudança de rumos pode chegar no nível mais estratégico onde está a Ustore.