Wagner Motta da Rosa.

O Departamento autônomo de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Sul (DAER), autarquia estadual responsável pela gestão do transporte rodoviário, aposta na introdução de tecnologia de modelagem de processos de negócios (BPM, na sigla em inglês) como uma forma de reformular a atuação da organização.

Recentemente, o DAER obteve a cedência junto a Secretaria da Fazenda licenças de uso do Orquestra, software de BPM da gaúcha Cryo, e prepara no momento uma licitação para contratar uma consultoria para fazer a implementação.

A Secretaria da Fazenda comprou o software e os códigos fontes em 2001 e a solução pode ser implantada em outros órgãos públicos. De acordo com Wagner Motta da Rosa, assessor especial do Daer encarregado do projeto, a órgão economizou cerca de R$ 2 milhões com a cessão.

A Cryo é dos players de destaque no mercado nacional de BPM. A empresa foi diversas vezes premiada no Global Awards for Excellence in BPM & Workflow, concedido pela WfMC (Workflow Management Coalition).

Dentro da lógica de reduzir gastos, o DAER também obteve 10 tablets junto a Receita Federal nos quais deve rodar a prova de conceito da solução na ponta. A solução será hospedada no data center da Procergs, cortando custos de manutenção da autarquia.

O plano de Rosa é ir aos poucos informatizando alguns processos do DAER e integrando com outros órgãos como a Secretaria de Segurança, o Detran e empresas seguradoras, deixando os técnicos do órgão mais focados em trabalho mais qualificado.

“O processo de liberação de uma van contratada poderia ser todo feito online”, indica Rosa, apontando uma das primeiras áreas que o projeto deve mirar.

Segundo Rosa, a abordagem processo a processo pode entregar um retorno de investimento mais rápido do que uma implantação de um sistema de gestão abrangendo todas as áreas, que, entre licitação e implementação, poderia levar anos e ser inviável do ponto de vista financeiro em um momento de aperto nas contas do estado.

O executivo veio da Empresa Gaucha de Rodovias, outra autarquia ligada a estradas do Rio Grande do Sul, onde também atuava na área de TI.

O desafio no DAER é grande. Ao longo dos últimos anos, a autarquia vem sofrendo um esvaziamento em sucessivos governos, agravado recentemente por uma série de denúncias de corrupção.

Entre 2004 e 2013, os investimentos do DAER caíram 33,5%. Já o quadro de servidores encolheu 43% de 2001 até hoje. Mais de 40% do efetivo atual já está apto a se aposentar.