Fornecedores da área de live marketing estão irritados. Foto: Pexels.

As condições draconianas de um contrato em disputa por leilão reverso na BRF, dona das marcas Sadia, Perdigão e Qualy, geraram uma situação inusitada: uma rebelião de fornecedores.

Tudo porque a empresa quer pagar seus fornecedores de live marketing (ações de merchandising, mas não só isso) 90 dias depois da prestação dos serviços.

Em um post no Linkedin, publicado há de cerca de um mês e já tirado do ar, o CEO global da BRF, Lorival Luz anunciou a doação de R$ 50 milhões para ações relacionadas ao coronavírus.

Alguns donos de empresas de live marketing resolveram reclamar, afirmando que a empresa deveria ser socialmente responsável também com seus fornecedores.

“Caro Lorival Luz, louvável a atitude da BRF por um mundo mais responsável e solidário. De fato, é a hora de se pensar em todos os stakeholders e não somente nos shareholders. Como representante de uma categoria bastante presente nas ações de marketing da BRF – o Live Marketing – gostaria mesmo é de ver tal atitude refletida nas relações da empresa com seus fornecedores do setor”, escreveu Alexis Pagliarini, presidente executivo da Ampro, entidade que representa fornecedores de live marketing.

Celio Ashcar Jr., presidente da Aktuellmix também parabenizou a  BRF pela doação, mas pediu mais “respeito, dignidade, e humanidade” com fornecedores.

Participaram 10 empresas, disputando no chamado leilão reverso, quando quem dá o lance mais baixo ganha. No modelo da BRF, o fornecedor banca todos os custos e recebe uma comissão de 2%, pagos 90 dias depois da realização dos eventos.

Em entrevista ao Propmark, um site especializado do mercado e propaganda, Alexis Pagliarini, presidente-executivo da Ampro, disse que há um problema de ética.

“A alegação dos clientes é que a agência topou, esse pregão de ontem teve 10 agências, que deram lance. Então de fato não é ilegal, mas é antiético. Está totalmente em desacordo, não é uma atitude empática de entender o mercado como está agora”, afirma Pagliarini, que disse que está em conversas com a BRF para melhorar o processo.

A BRF poderia pegar um pouco mais leve, até porque seus resultados estão melhorando mesmo em meio a pandemia (mais venda de lasanha congelada, talvez).

De acordo com os resultados trimestrais divulgados nesta segunda-feira, 11, a empresa atingiu receita de R$ 8,9 bilhões no primeiro trimestre – avanço de 21,6% em relação ao mesmo período de 2019. 

Entre janeiro e março, a companhia catarinense obteve um prejuízo de R$ 38 milhões, valor bem menor do que o alcançado no mesmo intervalo do ano passado (R$ 1 bilhão).