Problemas de sobra no Peixe Urbano. Foto: Pexels.

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O Procon-SP está procurando o CEO do Peixe Urbano, o chileno Nicolás Leonicio, numa tentativa de recuperar o dinheiro perdido por estabelecimentos parceiros e clientes, que estão se queixando junto ao órgão de proteção do consumidor.

Em nota, o Procon-SP diz que seu objetivo é “obter informações sobre o responsável pela empresa de serviços digitais, tais como telefone, endereço comercial e eletrônico, além de proposta para atendimento das queixas registradas por consumidores”.

Se não houver resposta em 48 horas, o caso deve ser encaminhado para a equipe de fiscalização, e o Peixe Urbano pode entrar para a lista de lojas online a se evitar.

O Procon-SP é mais uma parte na fila atrás de respostas do Peixe Urbano, naquilo que é o fim melancólico da que foi uma das marcas mais conhecidas da Internet brasileira.

A empresa já vinha com problemas há algum tempo, mas eles ficaram escancarados no dia 28 de janeiro, quando o site do Peixe Urbano saiu do ar, para não mais voltar.

Na época, a conta oficial no Twitter do Peixe Urbano disse que se tratava apenas de uma “intermitência sistêmica" e que o time de tecnologia estava trabalhando para corrigir o erro. Em 2 de fevereiro, a empresa parou de responder às reclamações de usuários na rede social.

O app também parou de funcionar, impedindo que os clientes acessem seus créditos e vouchers de desconto. Há mais de 2.400 queixas não respondidas no Reclame Aqui, que já classifica o Peixe Urbano como empresa como “não recomendada”.

No final de fevereiro, o Globo teve acesso ao áudio de uma reunião virtual de  com Leonicio funcionários realizada em janeiro, na qual o executivo foi sincero: 

“Não temos dinheiro nem sequer para demiti-los”, resumiu o CEO, agregando uma dose de esperança ao afirmar que estava negociando com potenciais investidores uma injeção de recursos que nunca chegou.

De acordo com o Globo, o Peixe Urbano operava no prejuízo há anos, mas chegava a vender até R$ 1,5 milhão em cupons por dia. 

Com a chegada da pandemia, as vendas associadas a cinemas, viagens e restaurantes desapareceram e o site passou a vender R$ 100 mil por dia. Aí começaram as demissões e o fechamento dos escritórios em São Paulo e Rio de Janeiro, deixando a empresa apenas na sede, em Florianópolis, onde estaria ameaçada de despejo.

Hoje, de acordo com o Linkedin, ainda trabalham 75 pessoas na operação do Peixe Urbano em Florianópolis. Quando o Baguete fez a mesma pesquisa em março, eram 150.

A pandemia pode ter agravado os problemas do Peixe Urbano, mas a verdade é que a empresa nunca cumpriu a promessa do hype de 2010, quando era uma das startups mais quentes do Brasil, com direito a participação acionária de Luciano Huck.

Os problemas já vêm de tempos e a empresa já rodou por vários donos. Em 2012, o Peixe Urbano vendeu suas operações na Argentina, no Chile e no México, e passou a focar no mercado brasileiro, sendo um portal de ofertas. 

Já em 2014, a empresa foi vendida para a chinesa Baidu, que então tinha planos ambiciosos para o país e para o Peixe Urbano, que deveria se tornar “uma das principais empresas de internet do país”.

Três anos depois, em 2017, o Baidu vendeu o Peixe Urbano para o Mountain Nazca, que também havia adquirido os negócios latino americanos do Groupon e fundiu as operações.

Foi uma junção interessante, porque o Groupon foi o site cujo modelo de negócios o próprio Peixe Urbano copiou, anos antes.