Meg Whitman tem boas notícias. Foto: divulgação.

Ao abrir o seu keynote no HP Discover, em Las Vegas, a CEO Meg Whitman foi ovacionada pela platéia ao declarar que a empresa, que completa 75 anos em 2014, está "de volta a uma posição estável".

Otimista, a declaração foi recebida como um alento após tempos difíceis para a companhia, que nos últimos anos acumulou perdas de faturamento e presença de mercado, como a queda no setor de computadores pessoais, onde foi ultrapassada pela Lenovo.

"Posso dizer com orgulho que a HP virou a esquina, estamos em um caminho claro agora e tivemos que tomar decisões difíceis para nos mantermos competitivos", destacou Whitman.

Aliás, a executiva justificou com números a declaração, afirmando que a HP gerou cerca de US$ 3 bilhões em operações e acumulou um caixa de US$ 2,7 bilhões.

Para isso, nos últimos meses a fabricante tomou medidas drásticas para se estabilizar. Após registrar uma receita de US$ 112,2 bilhões em 2013, uma queda de 7% em relação ao ano anterior, a empresa anunciou cortes de cerca de 50 mil funcionários em sua estrutura global, decisão que foi comentada pela CEO durante o pronunciamento.

"Continuamos a simplificar e focar esforços em nossos negócios, com um olhar para frente e novas possibilidades", destacou a executiva.

Um dos focos claros da empresa em seu novo posicionamento é se estabelecer como uma das principais forças em computação corporativa de ponta a ponta, tanto na parte de serviços quanto de infraestrutura, saindo do ainda persistente estigma de vendedor de hardware.

Segundo a empresa, a empresa já é uma referência estabelecida na parte de PCs e impressão, e agora é hora de mostrar poder de fogo no corporativo, competindo com IBM, Oracle, Dell, Cisco e outras.

"Queremos nos tornar um parceiro de negócios através da tecnologia, e não apenas um vendedor de soluções específicas. Queremos acompanhar nossos clientes em todas as suas etapas de negócio com um novo estilo de TI", afirmou Bill Veghte, VP Executivo e Gerente de Corporativo da HP.

Nos últimos anos, a empresa intensificou sua estratégia em setores pouco explorados, como nuvem, redes, computação de alta performance e software.

Algumas destas soluções foram o Apollo 8000, sistema de supercomputação refrigerado a líquido; o 3Par StoreServ 7450, sistema de armazenamento 100% flash, e sistemas convergentes otimizados para SAP Hana.

Outra aposta grande da empresa foi o foco na nuvem com o anúncio do HP Helion, uma rede global baseada em padrões abertos para cloud, usando OpenStack. A iniciativa movimentará investimentos de cerca de US$ 1 bilhão nos próximos dois anos.

COMPRAS, TURBULÊNCIAS E AJUSTES

Para apresentar todas estas novidades, nos últimos anos a HP adquiriu diversas startups e novas tecnologias, como Vertica (analytics), 3Par (storage) e Autonomy (gestão de aplicações), entre outras. Somente na compra da 3Par e da Autonomy, foram investidos cerca de US$ 13 bilhões.

No caso específico da aquisição da Autonomy, a empresa passou por maus bocados na incorporação da empresa britânica, um caso de conflito de estratégias de negócios e processos burocráticos que quase implodiu a transação.

Passada a turbulência, atualmente a solução Autonomy foi integrada a uma nova oferta da divisão de software da HP, chamada Haven, que alinha aplicações de gerenciamento empresarial, o Vertica, entre outras.

Segundo David Woods, vice-presidente e gerente da divisão storage da HP, a companhia tomou seu tempo para formatar todas as aquisições e tecnologias para uma oferta integrada e com valor.

"A empresa se reestruturou, recuperou seu foco em inovação, e reformatou sua presença no corporativo. Além disso, a recessão econômica pela qual passa o mercado também freou este processo um pouco. Agora estamos prontos para crescer novamente", afirmou o executivo.

Leandro Souza viajou para Las Vegas a convite da HP.