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TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO

Tablets ou notes em aula, eis a questão

Júlia Merker
// segunda, 11/08/2014 15:26

Depois de promover um estudo comparativo entre aulas com iPads e Chromebooks durante o último ano letivo, a cidade de Hillsborough, em New Jersey, vendeu os iPads que tinha e vai distribuir 4,6 mil Chromebooks aos estudantes no início das aulas do ciclo que começa em setembro de 2014.


Tablets são uma opção para sala de aula tecnológica.

Segundo a Atlantic, no começo das aulas de 2012, o distrito de quase 40 mil habitantes executou um projeto de comparação, dando iPads para 200 crianças e laptops Chromebook para um número quase igual.

Entre os motivos apontados para a escolha pelos Chromebooks, as escolas afirmaram que os alunos viam o iPad como um ambiente de jogo divertido, enquanto o dispositivo do Google foi percebido como um objeto para focar em trabalhos. 

Além disso, por mais que os alunos gostassem de fazer anotações e ler no iPad, o teclado do Chromebook foi a maior vantagem.

Outra constatação importante veio do departamento de suporte de tecnologia: foi muito mais fácil gerenciar quase 200 Chromebooks do que o mesmo número de iPads. 

Uma vez que todos os arquivos do Chromebook estão em nuvem, os alunos podiam ser deslocados em questão de segundos para um novo dispositivo se houvesse qualquer problema. Os aplicativos também podiam ser passados para todos os dispositivos com apenas alguns cliques.

Desde o lançamento do iPad, em 2010, instituições de ensino tem usado o tablet em sala de aula ou tarefas. O dispositivo surgiu num momento em que muitos educadores estavam defendendo a substituição dos livros didáticos por currículos on-line e tecnologia em aula.

Quatro anos mais tarde, no entanto, ainda não está claro se o iPad é o dispositivo mais adequado para esse ambiente.

O mercado de tecnologia educacional é enorme e competitivo: em 2014, colégios de ensino fundamental e médio dos Estados Unidos vão gastar cerca de US$ 9,94 bilhões em tecnologia educacional, um aumento de 2,5% em relação ao ano passado, de acordo com Joseph Morris, diretor de inteligência de mercado do Centro de Educação Digital.

No segundo semestre do ano passado, o entusiasmo pelo aparelho da Apple atingiu o pico quando o Los Angeles Unified Schools, o segundo maior sistema educacional dos EUA, começou a implantação de iPads para todos os alunos. 

No entanto, o distrito cancelou cerca de 2,1 mil iPads e anunciou que as escolas seriam autorizadas a escolher entre seis dispositivos diferentes, incluindo Chromebooks e híbridos de laptops e tablets.

No início do ano letivo de 2013, escolas da Carolina do Norte suspenderam um programa para ampliar o uso de tablets. Um escola no Texas também cancelou sua iniciativa para iPads no mesmo período.

Em setembro deste ano, Baltimore, em Maryland, vai estrear um projeto com um novo híbrido de laptop e tablet em 10 escolas de ensino fundamental. 

Ao longo do último ano, professores e alunos de lá tiveram a chance de experimentar mais de 12 dispositivos diferentes, disse Lloyd Brown, diretor do departamento de TI. Quando a cidade perguntou se os professores queriam um tablet ou um laptop, a resposta foi: "Os dois." 

No ano passado, uma pesquisa encomendada por Dell e Intel destacou que 53% das instituições de ensino norte-americanas já utilizavam tablets como ferramenta de ensino.

No Brasil, escolas públicas têm recebido tablets comprados pelo governo e instituições privadas também estão utilizando o dispositivo em aula.

No primeiro semestre de 2012, um levantamento feito pelo Ministério do Planejamento mostrou que 45% das compras de TI do governo federal foram de tablets no período, o que custou R$ 337,9 milhões.

No final do ano passado, o Ministério da Educação afirmou que o governo brasileiro iria distribuir 460 mil tablets para professores das redes estaduais de ensino em 2014. O MEC desembolsou R$ 180 milhões para a compra dos equipamentos.

No final de 2012, a Estácio comprou um lote de 8,5 mil tablets da Positivo. Desde então, a rede de ensino já comprou mais de 40 mil tablets.

Ainda assim, o tablet não é o único utilizado nas salas de aula do país.

No início de 2013, a prefeitura de Joinville investiu R$ 1,8 milhão em 4 mil tablets para alunos. Já no início de 2014, a cidade comprou 3.134 notebooks da Positivo para os professores da rede municipal. No entanto, isso não significa que Joinville decidiu que tablets não eram a melhor opção, pois na época a prefeitura afirmou que tinha planos para comprar mais 15 mil tablets e 1 mil lousas digitais.

No Rio Grande do Sul, cerca de 10 mil tablets haviam sido distribuídos até junho do ano passado e a previsão era que o número chegasse até 22 mil. Algumas escolas, no entanto, relataram dificuldade em usar os equipamentos pela falta de internet ou de cabos para conectá-los a outros dispositivos, segundo o Terra.

No Instituto Estadual de Educação Paulo da Gama, o professor Guy Barcellos leciona biologia em uma sala que que o wi-fi não chega. Para usar o tablet, o docente contou que usava o próprio 3G.

Além das facilidades de uso e possibilidades oferecidas, a escolha dos dispositivo precisa passar por avaliações que levam em conta valores e estrutura para implantação.

Entre as opções usadas nas escolas americanas, o Chromebook é o mais barato, com um preço a partir de US$ 279. iPads começam em US$ 399. Há muitos híbridos de tablet e notebook no mercado, mas um dos mais populares, o Microsoft Surface Pro 3, começa em US$ 799.

Em termos globais, as vendas de tablets são muito superiores às de Chromebooks. 

O Gartner afirma que serão comercializadas 5,2 milhões de unidades de Chromebooks em 2014, um aumento de 79% em relação ao ano anterior. Já a venda de tablets deve atingir 256 milhões de aparelhos.

Júlia Merker