Larry Page olha todas as letras do alfabeto. Foto: divulgação.

O Google anunciou ontem a criação de uma nova estrutura organizacional para seus vários negócios, abandonando o nome Google como a marca matriz e adotando o nome Alphabet como uma holding para sediar todas as suas divisões.

A informação foi divulgada pela empresa de Mountain View na tarde da segunda-feira. Com a nova estrutura, o co-fundador Larry Page deixa de ser o CEO da gigante das buscas para comandar o Alphabet, com Sergey Brin deixando a presidência do Google para assumir o mesmo cargo na empresa guarda-chuva.

Com isso, a marca Google agora será relacionada exclusivamente aos negócios web do grupo, envolvendo buscas, ads, mapas, apps, YouTube, e Android. Na liderança desta divisão, Sundar Pichai, ex-VP de produto do Google, foi o escolhido.

Segundo destacou Page ao falar sobre o novo desenho organizacional da empresa, um dos principais objetivos com o Alphabet é colocar em melhor perspectiva todos os negócios em que o Google atua, aumentando o foco de cada divisão.

"O que é o Alphabet? É basicamente uma coleção de companhias, cuja a maior é, obviamente, o Google. Este novo Google está mais enxuto, com as companhias que estão distantes do Google em nossos produtos de internet continas no Alphabet", explicou o CEO.

Anteriormente, as variadas divisões funcionavam de forma distinta da marca matriz, mas de certa forma "flutuavam" em torno do Google, ainda ligadas diretamente à marca, mesmo que não tivessem nada a ver com os negócios do grupo. A empresa continua do mesmo tamanho, apenas teve sua organização redesenhada.

A Alphabet Inc. substituirá a Google Inc. como entidade na bolsa de valores, mas as classes de ações continuarão a ser negociadas na bolsa americana Nasdaq como GOOGLE e GOOG.

Com o Alphabet, cada divisão passa a ser uma das letras dentro do A a Z sugerido pelo nome da marca, embora nem todas as 26 letras do alfabeto inglês estejam em uso até o momento.

Por exemplo, o Google será a letra G (mas é claro), enquanto o F será do Fiber. O Nest, de automação residencial, será o N, enquanto o laboratório de inovação Google X agora será apropriadamente apenas X.

Por outro lado, outras divisões podem se sobrepôr, como é o caso do Calico (de saúde) e Capital, que disputam a letra C. A marca de investimentos Google Capital pode ser combinada com o Google Ventures para ficar com a letra V.

Outros futuros negócios ainda terão que definir suas letras, enquanto incubam nos laboratórios do X. Se o Google Wing, de entregas via drone, já pode ter a letra W reservada, a parte de carros autômatos pode ter problemas, já que o A de Auto e o C de Car já estão tomados.

Letras à parte, Page afirmou em nota que sob a organização do Alphabet, os negócios serão mais otimizados em suas alocações de recursos e comando, com um CEO dedicado para cada divisão.

"Adicionalmente, com esta nova estrutura, planejamos implementar resultados segmentados para nosso relatório do quarto trimestre, onde as finanças do Google serão divulgadas separadamente dos outros negócios do Alphabet", detalhou o agora CEO do Alphabet.

Aí é que as coisas podem se complicar. De todos os negócios do Alphabet, somente o Google é quem tem lucros, com empresas como Calico e Life Science começando a engrenar. Já o X, por ser uma divisão experimental, é notoriamente uma fábrica de jogar dinheiro fora.

Apesar disso tudo, segundo apontam analistas, Page quer encarar o desafio de tirar as outras marcas do alfabeto do chão, deixando preocupações como custos por clique ou mudanças no Gmail, para focar no panorama geral das operações do Alphabet.

"Não temos certeza como os empregados do Google vão reagir para apoiar todas as operações do Alphabet, mas isso é algo que Larry Page terá que descobrir em um futuro próximo", afirmou Jay Yarow, do Business Insider.