Aloísio Mercadante. Foto: Agência Brasil.

O Ministério da Educação prepara um programa de bolsas para estimular o interesse de alunos do ensino médio de escolas públicas pelas áreas de química, física, matemática e biologia.

Batizado de Programa Quero ser Cientista, Quero ser Professor, a iniciativa deve oferecer bolsas de R$ 150 para 30 mil alunos ainda neste ano, número que será ampliado gradualmente até 100 mil.

Em nota, o Ministério da Educação não esclarece os prazos para atingir a meta final

O que se sabe é que o incentivo deve ser oferecido nos moldes do sistema de iniciação científica das universidades, envolvendo uma jornada extra de trabalho e pesquisa, nos moldes da iniciação científica.

Os professores do ensino médio também devem receber uma bolsa para supervisionar o aluno no programa, assim como professores de nível universitário. Não foram reveladas que bolsas serão oferecidas.

Para 30 mil alunos, o programa teria um custo anual de R$ 54 milhões. A meta final dos 100 mil ficaria por R$ 180 milhões anuais. Para o Ministério da Educação, o orçamento da União prevê R$ 81,1 bilhões em 2013.

“Química, física, matemática e biologia são áreas em que a demanda por matrícula no ensino superior é muito baixa. Está em torno de 2,8% a 3% das matrículas e não sai desse patamar. Nós queremos melhorar isso”, explicou o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, após participar de evento da organização não-governamental Todos pela Educação.

Um dos objetivos do programa é que o incentivo possa reduzir o déficit de professores nas áreas de química, física e matemática e biologia. Estima-se que atualmente chegue a 170 mil o déficit de docentes na rede pública nessas áreas.

A intenção é ainda ter profissionais das áreas de exatas em outros setores produtivos, segundo Mercadante.

“A medida que você dá condições, ele [o estudante] vai de alguma forma para a área de exatas. Ou vai ser um professor, ou vai ser matemático, físico, químico, que o Brasil precisa de gente em todas essas áreas”, disse.

O programa não aborda, no entanto, um fator que afasta os estudantes das exatas: a deficiência crônica do ensino das matérias da área no Brasil.

 De acordo com dados do relatório De Olho nas Metas do movimento Todos pela Educação divulgados no começo do ano, apenas 10,3% dos estudantes entre 4 e 17 anos no Brasil sabem matemática proporcionalmente ao seu ano de ensino.

Olhando o lado vazio do copo, isso significa que 89,7% não sabem matemática o suficiente.

As cifras estão abaixo das metas estabelecidas como adequadas pela entidade, que esperavam que o número de estudantes com conhecimento no nível do ano em que estão para 19,6% em 2013.

E os estudantes não estão melhorando. No relatório divulgado em 2011, com dados de 2009, a porcentagem de estudantes com conhecimento adequado ao 3º ano do ensino médio era 11%, inferior à meta de 14,3%.

Os dados são oriundos do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e da Prova Brasil de 2011.