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GOVERNO

CGU troca open source por SharePoint

Maurício Renner
// terça, 11/09/2018 14:48

A Controladoria-Geral da União (CGU), órgão do governo federal que faz o controle dos gastos do governo, trocou um software open source pelo SharePoint Online da Microsoft para organizar a comunicação dos seus 2,5 mil funcionários em todo país.

Prédio da CGU em Brasília. Foto: Divulgação.

A implementação da plataforma de compartilhamento e gerenciamento de conteúdo entre equipes de trabalho contou com o apoio da Brasoftware, uma das maiores parceiras da multinacional no país.

"A TI teve um grande benefício com a mudança. Não precisamos mais nos preocupar com investimentos ou manutenção da infraestrutura de TI que era dedicada à plataforma antiga de intranet", explica Denis Francis, chefe do serviço de prospecção de soluções da CGU. “Antes era usado um software livre que, apesar de ter bastante conteúdo e informação, estava desatualizado e defasado”, agrega Francis.

A nota da Brasoftware não chega a mencionar o software que foi retirado, como é de praxe nesse tipo de divulgação.

De todas formas, a movimentação do CGU é uma de muitas pelas quais software open source, muitas vezes desenvolvido por órgãos do governo, está perdendo espaço para soluções proprietárias dentro do governo, com destaque para produtos da Microsoft.

Um dos fatores que influenciou na aquisição do SharePoint pelo CGU foi o fato do órgão já usar soluções de escritório e comunicação do Microsoft Office 365, que provavelmente substituíram outras soluções open source.

A migração da CGU tem uma consequência adicional. Um dos argumentos dos defensores de adoção de software open source na administração pública é que pagar por software proprietário se caracteriza como um desperdício de dinheiro do contribuinte. Sem dúvida, esse argumento deverá ser menos ouvido pela CGU, uma vez que ela mesma tomou essa decisão.

A mudança de orientação na administração federal sobre software open source começou durante o governo Dilma Rousseff (PT), quando a Caixa Econômica Federal adquiriu R$ 250 milhões em software da Microsoft, em aquisições feitas em 2012 e 2015.

As soluções adquiridas substituíram toda uma gama de software open source dentro do banco. Em 2016, Ministério do Planejamento organizou uma compra coletiva de software da multinacional americana.

Por sua parte, a Microsoft fortaleceu a aproximação, inaugurando em Brasília um "Centro de Transparência", que tem por finalidade a segurança cibernética e a troca de informações com governos da América Latina sobre a origem de ataques virtuais. 

Um levantamento da IDC de 2014 pago pela Abes, uma entidade que reúne empresas cujo modelo de negócios é baseado em software proprietário, apontou que as empresas nacionais de software livre sobrevivem em média menos de um ano e geram um apenas 4% do faturamento do setor, sendo que desse total, 66% são compras públicas.

NUVEM

A maior das vitórias da Microsoft, no entanto, ainda pode estar por vir.

O governo federal vem preparando há alguns meses uma grande licitação de compra de serviços de computação em nuvem.

Em maio, foi divulgado um novo termo de referência para o projeto, no qual se abandona a ideia de adotar múltiplas nuvens orquestradas, colocando fichas em um só fornecedor.

De acordo com o Convergência Digital, que cobre de perto as movimentações em Brasília, essa nuvem será a Azure, da Microsoft. 

Ainda segundo site, o novo termo foi comunicado em uma reunião em maio no Ministério do Planejamento por técnicos da Secretaria de Tecnologia da Informação, sofrendo duras críticas dos presentes, que viram suas chances de ganhar diminuídas.

Só o representante da Microsoft teria ficado quieto.

Maurício Renner