Pois é amiga, foi uma surpresa para mim também. Foto: Pexels.

A Anatel não sabe direito quais municípios têm banda larga disponível e quais não.

A informação, chamativa tendo em conta que a tarefa da agência é regular o setor de telecomunicações do Brasil, se desprende de um comunicado da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações, que vem trabalhando há mais de um ano na atualização de municípios que possuem o backhaul de fibra. 

A Abrint está checando os dados da Anatel junto aos seus associados por meio de um site focado no assunto e já descobriu 500 cidades nas quais a agência reguladora acreditava que não havia fibra óptica, mas na verdade ela está disponível.

É uma cifra grande, tendo em conta que o Brasil tem ao redor de 5,5 mil cidades, e o grupo daquelas nas quais a Anatel acredita que não existe conexão por fibra óptica é necessariamente menor (a Anatel deve saber alguma coisa sobre algo).

De acordo com os dados da Anatel, 19 cidades em Rondônia não possuem a rede, mas com a atualização feita pela Abrint foi possível observar que destes municípios, 12 já possuem o chamado backhaul.

Já no Rio Grande do Sul, dos 93 municípios que aparecem na lista da Anatel, dois terços já têm conexão oferecida por provedores regionais.

Minas Gerais é um dos estados que mais precisa desse investimento. Mesmo assim, das 431 cidades que a Anatel informa não ter o backhaul de fibra, 166 delas já possuem, o que representa uma atualização de 38,5% dessa lista.

A Abrint está fazendo essa pesquisa para proteger os seus associados de potenciais concorrentes.

Isso porque, pelas regras do leilão de 5G atualmente sendo preparado pelo governo federal, as empresas que comprarem espectro para o novo sinal de telefonia móvel devem levar backhaul de fibra nas cidades onde hoje só há acesso por Internet via rádio disponível.

O dinheiro é descontado dos lances pelo espectro de banda do 5G, então, no final das contas, é dinheiro público.

Assim, se a lista da Anatel permanecer desatualizada, pode ser que alguma cidade onde um pequeno provedor fez um investimento para se conectar às redes dos grandes provedores (o chamado backhaul) se veja confrontado com uma operadora de telefonia, trazendo a fibra de novo apenas para cumprir as regras do leilão.

Ou, conforme explica a Abrint: “Se evitará a duplicação de infraestrutura de rede, o mau uso de dinheiro público e a promoção de um desequilíbrio competitivo aos prestadores que já atuam nessas cidades”.