Gian Paolo Bassi. Foto: divulgação.

A SolidWorks anunciou uma nova oferta na nuvem, batizada de Industrial Conceptual e focada nos estágios iniciais do design, principalmente o lado estético de produtos de consumos de configuração mais simples.

Além do produto, que ainda não tem data de lançamento divulgada no Brasil, a empresa anunciou também o SolidWorks Conect, uma espécie de rede social de projetos que rodará em paralelo com a versão desktop do produto.

As novidade foram divulgadas durante o SolidWorks World, evento mundial da empresa que encerrou nesta quarta-feira, 11, em Phoenix, nos Estados Unidos.

O Industrial Conceptual segue os passos do Conceptual Design, primeira ferramenta do gênero lançada pela SolidWorks no ano passado, essa focada nas primeiras fases de um projeto – geralmente a área dominada por esboços em papel (a novidade deve estar disponível no Brasil ainda no primeiro trimestre).

Todas as novidades são hospedadas na nuvem e enfatizam funcionalidades de colaboração em multiplataforma (destkop, browser e mobile) tanto internamente entre os times como com os clientes fora da organização.

Elas também são baseadas na plataforma V6 da Dassault Systemes e integradas dentro do conceito 3D Experience, através do qual os usuários do software da SolidWorks passam a ter acesso a outras soluções do portólio da Dassault Systemes na área de análise de dados, por exemplo.

Com a movimentação, a gigante francesa, com faturamento na faixa dos 2 bilhões de euros anuais, integra mais dentro da sua tecnologia a SolidWorks, que, sozinha, representa 20% desse total.

Adquirida pela Dassault Systemes ainda em 1997, a SolidWorks é a porta de entrada nos franceses no mundo da engenharia, atendendo majoritariamente pequenas organizações, proprietárias de entre 1 e 10 licenças em cerca de 80% dos casos (também é verdade que os 20% do topo da pirâmide de clientes são donos de metade dos assentos).

Durante quase a primeira década após a sua aquisição, a SolidWorks teve uma existência relativamente independente, o que se explica pela diferença do perfil de clientes, mas também pelo fato de que o software da empresa é baseado no kernel Parasolid, licenciado pela companha da Siemens, multinacional alemã que é um grande rival da Dassault Systemes.

A chegada da tendência da computação em nuvem, no entanto, abriu uma porta para a Dassault Systemes promover uma maior integração da SolidWorks com o resto do seu portfólio, e também para começar uma série de lançamentos de soluções integradas.

A princípio, a modificação de estratégia deu margem para que a concorrência assediasse a base da SolidWorks, jogando os rumores de que a mudança esconderia, na verdade, o plano de médio prazo de fazer modificações profundas no software. O boato sempre foi negado com veemência pelos executivos da companhia.

“Nossa abordagem se baseia em dois pilares: seguir atendendo e aprimorando a nossa base legada, ao mesmo tempo em que aproveitamos as oportunidades que nos oferece o futuro. Fazer diferente é se condenar à extinção”, afirma Gian Paolo Bassi, executivo italiano que foi nomeado CEO da SolidWorks há poucas semanas, vindo de três anos à frente da área de R&D da empresa.

A empresa não revela quais podem ser os próximos lançamentos de soluções em nuvem integradas ao SolidWorks, mas Monica Menghini, VP de Marketing da Dassault Systemes e uma das principais cabeças por trás do planejamento estratégico para a próxima década posto em prática em 2011 mostrou qual é a visão de criação de produtos que orienta as mudanças.

Monica, uma executiva contratada pela Dassault Systemes em 2007 com passagens pela gigante de propaganda Saatchi & Saatchi e Procter and Gamble, falou sobre tendência de crescente de lançamento de produtos conectados, com eletrônica embarcada, o que faz com que a disciplina de engenharia mecânica, carro chefe da SolidWorks, precisa cada vez mais estar em contato com outras áreas.

“Um projeto pode envolver especialistas em experiência de usuário, internet das coisas, engenheiros de diferentes especialidades... É uma verdadeira tribo. O futuro do SolidWorks é cada vez mais social”, resumiu Monica.

*Maurício Renner cobre o SolidWorks World em Phoenix a convite da Solidworks.