VTEX Day espera atrair 44 mil participantes. Foto: VTEX.

A ex-primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, deve ser a estrela do VTEX Day, evento sobre e-commerce da VTEX que vem se destacando nos últimos anos por trazer nomes chamativos para seus keynotes.

No ano passado, aliás, esse keynote chamativo foi o marido de Michelle, o ex-presidente Barack Obama.

No caso da ex-primeira-dama, a VTEX não está falando de um keynote, mas de uma “conversa moderada” no segundo dia do evento, previsto para acontecer em São Paulo nos dias 15 e 16 de abril.

Previsto é aqui a palavra chave, porque nessa altura do campeonato parece difícil cravar com 100% de certeza que um evento que atraiu 22 mil pessoas na sua edição do ano passado vá acontecer em 2020.

O motivo, é claro, é o coronavírus, que foi declarado uma pandemia pela Organização Mundial da Saúde nessa semana. Já são 52 casos confirmados no Brasil, mais da metade deles em São Paulo.

No resto do mundo, o coronavírus já causou dezenas de cancelamentos de grandes eventos, incluindo o Mobile World Congress, o SXSW e os maiores encontros de IBM, Facebook e Google, para citar apenas alguns.

A tendência de prevenir a difusão da doença evitando aglomerações chegou ao Brasil nesta quarta-feira, 11, quando a SalesForce decidiu transferir para uma data ainda não definida o BaseCamp São Paulo, previsto para acontecer dia 8 de abril.

No FAQ do evento, a organização do VTEX Day aponta que a maioria dos casos é de brasileiros vindos do exterior, e que evento é "público majoritariamente nacional", o que indicaria que "não há razões suficientes para adiar ou cancelar o evento".

A VTEX afirma ainda que o evento posto médico reforçado, álcool em gel em áreas bem posicionadas e orientações visuais sobre prevenção, antes de dar uma lista de recomendações de prevenção que inclui evitar apertos de mão. 

Delegações européias, provavelmente um número de participantes pouco expressivo, também foram canceladas como medida de precaução.

O cenário descrito pela VTEX poderia ser considerado realista hoje, mas é verdade é que a situação não está estável, pelo contrário. 

O Ministério da Saúde trabalha com um cenário de aumento exponencial de casos para as próximas duas semanas e meia, seguida de um platô com grandes números de doentes por oito semanas.

Na sua nota de divulgação da vinda de Michelle Obama, a VTEX optou por não abordar o tema, focando  no lugar em outras grandes atrações, como a modelo Gisele Bündchen e o tamanho do encontro, que tem previsão de uma área de exposição de 40 mil metros quadrados.

Eventos como o Mobile World Congress tentaram emplacar uma linha similar de medidas preventivas ainda em fevereiro, quando a pandemia estava nos estágios iniciais pela Europa, mas acabaram tendo que cancelar.

A verdade é que a decisão não está totalmente nas mãos da VTEX e tem influência do público em geral e dos patrocinadores. 

Realizado desde 2015, o VTEX Day se tornou uma referência no calendário de tecnologia porque atrai interessados em pagar entradas, hoje a R$ 867 na versão mais barata (a VIP sai por R$ 2,5 mil) e, principalmente, um batalhão de quase 100 patrocinadores, indo desde gigantes como a Totvs, dona da cota mais cara, até pequenos players de e-commerce. 

Daqui para frente acontecerá um jogo de observação, monitorando o interesse do público em comprar ingressos. Alguns dos patrocinadores podem ainda tirar seus participantes como medida de prevenção (nos Estados Unidos, a proibição de participação em eventos com mais de 1 mil pessoas já é frequente).

O cancelamento também pode partir de autoridades do governo, como foi o caso do SXSW, mega evento de tecnologia que esperava 400 mil pessoas em Austin e foi cancelado pela prefeitura local. 

Tudo isso acontecendo sob uma contagem de infectados que deve subir muito nas próximas semanas e de um noticiário internacional no qual medidas cada vez mais drásticas se acumulam.