AUTOMATIZAÇÃO

USP desenvolve ferramenta de correção automática para redações

12/03/2021 12:21

Solução auxilia estudantes a aprimorar suas habilidades em redações para o Enem.

Para ter sua redação corrigida, basta o usuário fazer o download do aplicativo na Google Play Store ou acessar o site da CIRA. Depois, é só o usuário digitalizar a redação e submetê-la à ferramenta. Foto: Divulgação/ IFSC.

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Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) e do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP criaram uma ferramenta para corrigir redações automaticamente e aprimorar as habilidades dos estudantes para as redações do Enem.

Disponível por meio de um aplicativo Android e de um site, o chamado Corretor Inteligente de Redações Automático (CIRA) identifica erros gramaticais, de pontuação, de digitação e de concordância nas redações.

A ferramenta é resultado de um projeto de iniciação científica em que o estudante Gabriel Nogueira, que cursa Bacharelado em Ciências de Computação no ICMC, é orientado pelo professor Osvaldo Novais de Oliveira Jr, do IFSC.

Eles utilizaram técnicas de inteligência artificial, compondo a solução com dois elementos essenciais: um sistema inteligente que estabelece uma pontuação para a redação e outro que apresenta sugestões de como melhorar o texto.

Para isso, a ferramenta foi criada a partir de uma base de 100 mil redações da empresa Letrus, que foram corrigidas e pontuadas por professores seguindo os moldes da avaliação do Enem.

A partir dos critérios utilizados por esses professores, o sistema aprendeu quais aspectos precisam ser levados em conta em uma correção e como estabelecer uma nota.

“Diante de tantas exigências, acredito que os estudantes podem se beneficiar de uma ferramenta como a CIRA, pois podem treinar a escrita de redações e receber retroalimentação e sugestões instantaneamente”, afirma o professor.

Oliveira ressalta que a solução também poderá ser útil para outros professores que precisam corrigir muitas redações, usando a pontuação fornecida como baliza.

Para utilizar o CIRA, o usuário precisa fazer o download do aplicativo na Google Play Store ou acessar o site da ferramenta e submeter a redação.

Em seguida, o sistema apresenta ao usuário os resultados, mostrando a nota atribuída à redação e estatísticas sobre o texto, como número de palavras e caracteres, além de destacar em vermelho os erros.

Ao clicar em cima do erro indicado, uma janela se abre com informações sobre o que foi identificado e sugestões de como melhorar o aspecto.

O estudante Gabriel Nogueira conta que a ideia do aplicativo surgiu quando estava terminando o projeto de iniciação científica. 

“Apesar de, posteriormente, termos descartado a versão inicial do aplicativo e feito um novo aplicativo e um novo sistema do zero, durante esse projeto final da disciplina Programação Orientada a Objetos coloquei em prática boa parte das ideias que, mais tarde, viriam a compor a CIRA”, relembra o estudante.

Pronto para uso, o aplicativo e o site continuam sendo aperfeiçoados por Nogueira, que pretende fazer o CIRA fornecer uma pontuação cada vez mais precisa e melhores sugestões aos usuários.

O projeto do qual resultou a ferramenta é fruto das pesquisas realizadas pelo Núcleo Interinstitucional de Linguística Computacional (NILC), um grupo multidisciplinar de pesquisa do ICMC onde é antiga a ideia de desenvolver um sistema como esse.

Em 2007, foi publicado um artigo de pesquisadores do IFSC e do ICMC prevendo que métricas estatísticas de textos poderiam ser correlacionadas com a qualidade. 

O sistema começou a se tornar realidade em 2019, com um projeto patrocinado pela Pró-Reitoria de Pesquisa da USP em um programa sobre sistemas inteligentes. 

Assim, uma equipe foi formada com professores dos dois institutos, além de bolsistas do ICMC, incluindo Gabriel Nogueira.

Criado em 1993, o NILC conta com pesquisadores de diversas instituições, como USP, UNESP, Universidade Federal de São Carlos e Universidade Estadual de Maringá.

O Núcleo já estabeleceu colaborações com empresas como Itautec, Microsoft, Samsung e Embrapa, além de institutos de pesquisa, como o Instituto de Estudos Avançados da ONU, para projetos de grande porte.

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