Germano Couy e Samuel Matsuyama Rodegheri.

A Positivo prepara avanços no segundo semestre desse ano na sua linha de smarphones, cujos primeiros aparelhos foram lançados no mercado no final de 2012.

A companhia está no momento aguardando uma definição no debate entre governo e estados sobre o futuro do ICMS para definir para onde levará a produção de celulares, atualmente feita na China.

As opções com as quais a empresa trabalha são as plantas já existentes em Curitiba, Ilhéus e Manaus ou uma nova operação em São Paulo, estado de concentra a maior parte da produção de celulares do país.

Caso as discussões da reforma tributária permaneçam indefinidas, a empresa cogita contratar um fabricante terceirizado enquando aguarda, prática comum no mercado.

Parece haver boas expectativas de que um acordo para acabar com a guerra fiscal seja alcançado, no entanto.

O senador Delcídio Amaral (PT-MS), relator da proposta da unificação, disse na semana passada que "pela primeira vez existe uma possibilidade de acordo" no que pode ser "a grande reforma do governo Dilma".

Se a reforma está mesmo próxima ou Amaral está tentando prover o noticiário com boas notícias numa época em que elas parecem escassas, o tempo dirá. De qualquer maneira, a Positivo está preparada.

“Nós desenhamos a engenharia e os processos que estão em curso no exterior. Temos o conhecimento sobre como fazer. Trazer a produção para o Brasil não impacta isso”, afirma Germano Couy, vice presidente de produto e consumo da Positivo e executivo encarregado da linha de smartphones da empresa.

Couy, ex-CEO da Megaware, contratado em maio do ano passado, é uma das provas da importância que a linha de smartphones tem para a Positivo. Apesar de ser a líder do mercado brasileiro de PCs e notebooks, com 13% de participação, a empresa enfrenta concorrência cada vez maior de multinacionais, combinada com a queda das vendas do mercado como um todo.

O mercado brasileiro de PCs teve queda de 10% no primeiro trimestre de 2013, quando foram vendidos  3,4 milhões de computadores. É uma acentuação do ritmo verificado no ano passado, quando as vendas caíram pela primeira vez, só que em apenas 2%.

Para Couy, no entanto, os números não significam que a Positivo deva fugir desesperadamente do mercado de PCs e tratar de converter-se em outra coisa.

“Ainda há muito espaço para vender PCs no Brasil. O crescimento pode voltar à medida que a banda larga se espalhe e mais brasileiros comprem seu primeiro PC”, analisa o VP da empresa paranense.

De acordo com Couy, os lançamentos da linha Ypy, composta por smartphones e tablets de preços competitivos, no ano passado, fazem parte de uma estratégia de oferecer toda a gama de equipamentos aos consumidores dentro de uma experiência integrada, e não substituir fontes de receitas.

Para Samuel Matsuyama Rodegheri, diretor de produtos da Positivo, a pressão das multinacionais na verdade ajudou a empresa, pressionando os concorrentes nacionais e fortalecendo a posição da companhia.

Rodegheri está corrento. Outro levantamento da IDC apontou que a empresa é uma das sobreviventes no novo mercado brasileiro de PCs. Em 2010, das 10 fabricantes que mais venderam no país em 2010, seis eram brasileiras. Em 2012, apenas a Positivo, Itautec e CCE estavam na lista.

* Maurício Renner viajou a Curitiba a convite da Positivo.