Para se tornar cliente do Neon, é preciso abrir uma conta através do app. Foto: Divulgação.

A startup Controly reformulou seu modelo de negócios para lançar o Neon, novo banco 100% digital a entrar em operação no Brasil.

Com a Controly, a estratégia era oferecer um cartão pré-pago associado a uma conta e um aplicativo. Já o Neon oferece aos usuários uma conta corrente no app e um cartão de débito da Visa.

Para se tornar cliente do Neon, é preciso abrir uma conta através do app. Inicialmente, foram disponibilizadas 5 mil contas. Até o fechamento desta matéria, restavam cerca de 1,2 mil contas para serem abertas.

Segundo a empresa, a opção por limitar o número inicial de cadastros está relacionada à capacidade da companhia de cumprir com o atendimento prometido.

Com anuidade e taxas de manutenção, de abertura de conta e de emissão do cartão gratuitas, o faturamento do Banco Neon vem das porcentagens cobradas dos lojistas durante as compras e de parcelas de tarifas como TED, pagamentos, saques e da taxa de câmbio em compras internacionais.

Na conta Neon, o cliente pode fazer pagamentos, transferências, receber dinheiro via boleto e usar o cartão de débito. Após o cadastro aprovado pelo banco, a conta é ativada a partir de um depósito de pelo menos R$ 100.

Os clientes do Neon tem direito a uma transferência gratuita mensal para contas de outros bancos e um saque mensal sem custos nos terminais da Rede 24h. As demais transferências para outros bancos custam R$ 3,50, enquanto os demais saques saem R$ 6,90.

A geração de boleto custa R$ 2,50, enquanto as taxas de compras internacionais são de 4%, além do IOF.

O modelo do Neon é similar ao Banco Original, com diferença na exigência inicial para criar a conta e no cartão, que no caso do Neon é apenas de débito.

No Original, criado pela holding J&F Investimentos, é preciso ter renda mensal a partir de R$ 4 mil para se tornar cliente, pois a empresa trabalha com cartões de crédito das bandeiras MasterCard Platinum e Black.

Apesar de utilizar a mesma estratégia digital, os valores do Original são mais altos. O banco cobra R$ 29 para a confecção do cadastro do cliente. Depois, uma taxa de R$ 50 a cada seis meses para a renovação do contrato.

Mensalmente o Banco Original cobra R$ 5 pela manutenção da conta ativa. Caso ela fique inutilizada por mais de seis meses, ou com saldo inferior a R$ 1 mil, o banco passa a cobrar R$ 25 mensais.

Transferências TED ou DOC para qualquer outra conta custam R$ 6,90. Para utilizar a conta Original para receber pagamentos do exterior é necessário pagar R$ 210 por transação.

Para atender às normas da legislação brasileira, o Original desenvolveu sua própria plataforma – um projeto que durou três anos, com investimentos da ordem de R$ 600 milhões.

O Banco Central faz uma série de exigências em relação ao cadastro de clientes de bancos por questões de segurança. Assim, ao fazer o cadastro no Original, o cliente precisa diversas fotos para reconhecimento, além da documentação e de uma assinatura que pode ser feita digitalmente. 

As mudanças na legislação que permitiram a criação de empresas como Banco Original e Neon parecem estar alavancando a nova onda de fintechs - startups voltadas para serviços financeiros - no Brasil.

Em abril, o Banco Intermedium, instituição financeira fundada pela MRV Engenharia, também tornou possível a realização de todo o processo de abertura de conta pelo celular, através do aplicativo para dispositivos móveis.

Entre as fintechs, um dos destaques do Brasil é o Nubank, serviço de cartão de crédito que funciona apenas com o app.

A nova empresa segue a mesma premissa, mas adiciona ainda todos os recursos ligados a uma conta bancária, enquanto o Nubank fica restrito às operações de compra com o cartão e o gerenciamento dos gastos.

Criado em setembro de 2014 pelo empreendedor David Vélez, o Nubank recebeu um aporte em janeiro de US$ 50 milhões para expandir seus negócios no Brasil. 

A empresa já recebeu outros três investimentos: um aporte inicial para começar o negócio, em julho de 2013; outro investimento logo no lançamento da startup; e um aporte de R$ 90 milhões em 2015.