MS de olho no governo? Foto: flickr.com/photos/N000@4

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A Microsoft está de olho no mercado governamental, preparando versões de sistemas operacionais em nuvem dedicados para uso de governos e órgãos públicos.

De acordo com o site ZDNet, fontes ligadas ao mercado garantem que a gigante de Redmond estaria desenvolvendo diversas ofertas em nuvens privadas, híbridas e públicas. Segundo as fontes, o novo projeto se chama Fairfax.

Atualmente a empresa já possui ofertas do Windows Azure e Windows Server para órgãos governamentais, mas é o mesmo produto oferecido para os consumidores convencionais.

No entanto, este novo projeto seria algo novo, rodando fora do Azure - que usa primariamente os servidores da Microsoft. Neste caso, seria uma versão modificada do Windows Server, com servidores físicos ficando em domínios governamentais.

Fairfax, o nome do projeto, vem da cidade americana de Farifax, Virgínia, onde fica a sede General Services Administration, divisão que supervisiona outras agências governamentais dos Estados Unidos.

Segundo a analista Mary Jo Foley, do ZDNet, o projeto Fairfax seria específico para o governo americano, mas não se descarta a possibilidade da criação de outras versões deste sistema para diferentes países.

"Um sistema operacional em nuvem da Microsoft seria, de certa forma, similar ao Office 365 para governo que a Microsoft lançou um ano atrás. Office 365 para Governo é um serviço que abriga os dados do governo dos EUA em uma nuvem segregada", explica.

Apesar dos rumores, a Microsoft não comentou a situação. Mesmo assim, segundo parceiros da Microsoft na oferta de nuvem afirma que uma oferta de nuvem para governo faz muito sentido.

"O governo é notoriamente exigente quando se trata de infraestrutura e expectativas para a nuvem, então uma versão governamental específica do Azure faz muito sentido na estratégia da Microsoft neste segmento", afirmou uma fonte de mercado ao ZDNet.

BRASIL

Caso o rumo se confirme, a oferta de um ambiente em nuvem com segurança e data centers em poder do governo pode ser atraente para vários governos, inclusive o brasileiro.

Recentemente, a presidente Dilma Rousseff declarou que quer tornar obrigatória a armazenagem de dados de usuários brasileiros em data centers dentro do país como uma das regras do Marco Civil da Internet, cuja discussão está emperrada há anos.

As medidas vêm na esteira do escândalo de espionagem protagonizado pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos, que, segundo revelou o ex-agente da CIA Edward Snowden, está coletando dados sobre milhões de cidadãos americanos e de outros países, inclusive no Brasil.

A chegada da Microsoft com um oferta atraente ao governo seria uma pedra no sapato do Serpro, que anunciou no final de 2012 um investimento de R$ 188 milhões na construção de um novo data center em São Paulo.

Além disso, a estatal lançou uma versão em nuvem da suíte de comunicação Expresso, trazendo recursos como chamada de voz, webconferência e pesquisa avançada.