Foto de Mathias de Souza Lima Abramovic no Facebook.

A situação de um candidato branco de olhos verdes que foi aprovado como um cotista afrodescendente no concurso de entrada no Instituto Rio Branco, onde são formados os diplomatas do Itamaraty.

O caso de Mathias de Souza Lima Abramovic foi revelado pelo Globo e o Itamaraty já se  pronunciou nesta quarta-feira, 11, afirmando que, como a participação como cotista depende do candidato se autodeclarar negro ou pardo, a aprovação não será revertida.

No entanto, a situação deve acabar nos tribunais. Em resposta ao jornal carioca, o Itamaraty que os candidatos prejudicados podem recorrer à Justiça.

É quase certo que isso acontecerá. O concurso para o Itamaraty é um dos mais concorridos do Brasil. Este ano, 6.490 disputavam uma das 30 vagas, das quais 10 eram reservadas para afrodescendentes.

O benefício é válido apenas para a primeira fase do concurso, que seleciona as 100 maiores notas para a segunda etapa.

Segundo o jornal, Mathias ficou com nota final 47.50, quase dois pontos a menos que o último candidato aprovado sem a utilização das cotas.

A autodeclaração como negro ou pardo cresceu no Brasil na última década. O percentual de pardos cresceu de 38,5%, no Censo de 2000, para 43,1% (82 milhões de pessoas) em 2010. A proporção de pretos também subiu de 6,2% para 7,6% (15 milhões) no mesmo período.

Por outro lado, enquanto mais da metade da população (53,7%) se autodeclarava branca na pesquisa feita dez anos antes, em 2010 esse percentual caiu para 47,7% (91 milhões de brasileiros).