Drone made in Santa Catarina. Foto: divulgação.

Um projeto de alunos do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) traçou um desafio para inovar na área de Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs): desenvolver um drone aéreo com base em um aeromodelo de pequeno porte.

A iniciativa, chamada de Sistema de Monitoramento de Média Atitude (SIMA), iniciou em julho de 2012, com a participação de dois professores e cinco alunos de Engenharia Eletrônica do instituto, que criaram os sistemas e peças para o protótipo.

A primeira fase do projeto - que envolveu o desenvolvimento e confecção do drone - foi resultado de um investimento de R$ 15 mil, financiados pelo próprio instituto, com verba de um fundo interno destinado à pesquisa.

O multicóptero - veículo com vôo controlado por seis hélices - tem capacidade para um vôo autônomo de até 10 minutos a uma velocidade de 15 metros por segundo e atinge 350 metros de altura. O controle remoto tem alcance de até dois quilômetros.

"Criamos o drone com a capacidade de ter até 24 sensores, com alta capacidade de controle. Por ser um multirotor, com hélices que giram em sentidos contrários, o vôo é mais estável", explica Arturo Manzoli, aluno e um dos integrantes do Grupo de Pesquisa em Desenvolvimento de sistemas Embarcados, que tocam o projeto SIMA.

De acordo com o aluno, o equipamento pode auxiliar na aquisição de imagens para monitoramento de atividades ilícitas, e mapeamento em desastres em áreas de risco ambiental e desastres naturais.

Para isso, a estrutura possui uma câmera com resolução superior ao full HD e um sistema integrado de transmissão de imagens. Além disso, o multicóptero possui um GPS incorporado, que permite o retorno ao ponto de partida em caso de perda do sinal do controle remoto.

FOMENTANDO A PESQUISA

Conforme aponta o professor Leandro Schwarz, do Departamento de Eletrônica do Câmpus Florianópolis e coordenador da primeira etapa do projeto, o SIMA foi fruto da necessidade do desenvolvimento de plataformas para a pesquisa e criação de tecnologias para este tipo de veículo, algo que ainda é incipiente no país.

“Isso acontece porque a tecnologia de VANTs é utilizada apenas militarmente e o acesso a ela é muito restrito por questões de segurança. Queremos nacionalizar a tecnologia, permitindo uma diminuição dos custos e um aumento da segurança", afirma.

Com isso em mente, o grupo se prepara para a segunda fase do projeto, que é usar o Sima como um exemplo para a criação de tecnologias para drones. Para isso, segundo detalha Manzoli, é hora de buscar parcerias.

"Estamos mostrando o que desenvolvemos e buscando acordos com representantes do setor público e privado, seja para investimentos ou colaboração para desenvolvimento de tecnologias", afirma.

Conforme ele, o primeiro momento é de fortalecer a produção de propriedade intelectual no segmento, para depois pensar comercialmente.

"Por enquanto é impossível competir com o grau de inovação que existe nos Estados Unidos e Ásia, mas acreditamos que podemos estimular um mercado interno, produzindo a tecnologia e gerando a demanda para ela", afirma.