Elia Chatah. Foto: divulgação.

Não é de agora que a SAP, empresa alemã consolidada no mercado de softwares de gestão em segmentos como o industrial, financeiro, entre outros, está nadando em novas águas no mercado. Esportes, cloud e bancos foram algumas das apostas recentes da empresa para diversificar sua presença global. Para 2015, o varejo entra nesta lista.

A companhia apresentou suas intenções para o mercado varejista em um evento realizado em São Paulo esta semana, em que reuniu diversos empresários do setor para conhecerem suas soluções.

Para a companhia, o plano é oferecer produtos de ponta a ponta usando o banco de dados em memória Hana, indo na contracorrente de um mercado que adquire diferentes soluções e funcionalidades (fiscal, estoque, e-commerce, CRM) com diversas empresas e fornecedores.

Para Steve Lucas, presidente da divisão de Platform Solutions da SAP, o desafio é fornecer soluções que vençam a complexidade atual do cenário varejista, com diferentes aplicações para diferentes demandas.

"Empresas acabam comprando softwares da Oracle para dados, SAS para analytics, Salesforce para CRM, alguma outra para gestão de seus programas de fidelidade, e isso acaba interferindo na agilidade de seus negócios", avalia o executivo.

De acordo com Elia Chatah, especialista de soluções para o setor de varejo da SAP Brasil, o momento no varejo é oportuno para a empresa, visto a transformação dos negócios de lojas físicas para o virtual e o modelo omnicanal.

"O varejo brasileiro ainda carece de maturidade em relação a outros mercados como o norte-americano e o asiático, mas já está evoluindo para um novo modelo, ciente que o consumidor quer mais tecnologia", afirma.

No exterior, a SAP tem exemplos como o da cadeia canadense de supermercados Loblaw's, que baseou todo o seu sistema de fidelidade e ofertas personalizadas em Hana. Outro exemplo é o da rede de lojas de departamento Macy's, que usou a plataforma SAP para otimizar seu e-commerce.

"Com o Hana, a empresa otimizou suas opções de personalização de produtos, tanto no site como na loja física. Com os dados em tempo real, o site também passou a usar Big Data, com dados não-estruturados (notícias lidas, filmes vistos) para sugerir produtos", explicou o executivo.

No Brasil, Chatah chamou a atenção para a rede de supermercados EPA, do grupo DMA, de Belo Horizonte. A empresa adotou a plataforma ERP Retail de ponta a ponta, adotando módulos para os departamentos financeiro e contábil, fiscal, comercial, compras, vendas lojas, logística e gestão de estoque.

Além disso, a tecnologia da empresa está por trás do controle da produção de perecíveis e integra também todos os processos dos PDVs, menos a parte de checkout.

O Grupo DMA ainda implantou a solução SAP Transportation Management, responsável pelo gerenciamento da logística e pelo controle de caminhões e frota.

Outra empresa que está levando sua operação de varejo para o ambiente SAP Hana, é a rede Leroy Merlin. Embora a companhia seja multinacional, o projeto para adotar o SAP Retail está em implantação inicialmente só na divisão brasileira da varejista.

"Estamos levando a diversas empresas nossa oferta para que adotem a inteligência do Hana em suas operações de varejo, seja com o ERP ou com o portfólio Hybris, que pode rodar com outros sistemas integrados", explicou.

A aposta da SAP no varejo e e-commerce foi fortemente sinalizada no ano passado, com a compra da Hybris, especializada em plataformas de e-commerce, em uma transação de valor não revelado. A solução foi integrada ao Hana, e ao SAP Jam, plataforma em nuvem para oferta de recursos de colaboração.

Segundo Chatah, de aplicações para varejo, por enquanto a SAP Brasil só não possui uma solução específica para pontos de venda. No exterior, a empresa já conta com esta oferta, mas devido à regulação brasileira, este produto não chegou por aqui.

"Acredito que isso vai mudar no ano que vem, com a disseminação da nota fiscal eletrônica para consumidor, que vai facilitar para os softwares fiscais e de PDV. A partir desta mudança, acredito que devemos acrescentar esta solução", conclui o especialista.