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Everis inclui portadores de autismo

Maurício Renner
// segunda, 12/09/2016 13:54

A Everis, consultoria de TI do grupo japonês NTT Data, está incluindo profissionais com autismo na sua operação brasileira.

Rita Souza.

Vitoria Gimenez, de 21 anos, é a primeira profissional a ser contratada pela Everis dentro do programa, uma parceria com a Specialisterne Foundation, uma ONG dinamarquesa especializada na introdução de pessoas com autismo no mercado de trabalho.

Estudante de Mecatrônica, ela trabalha no Centro de Certificação de Aplicações com 12 consultores. 

O autismo é um distúrbio neurológico caracterizado por comprometimento da interação social, por dificuldades de interpretação de comunicação verbal e não-verbal que são feitas de maneiras quase inconsciente na maioria das pessoas. 

Também conhecida como TEA, ou Transtorno do Espectro Autista, a condição inclui pessoas com diferentes graus de autismo ou síndrome de Asperger.

 "Não é a capacidade técnica que afasta um profissional com TEA do mercado de trabalho, mas a dificuldade de interação”, resume Rita Souza, gerente de People da Everis. 

De acordo com Rita, pessoas com TEA tem alta capacidade de concentração e produção, talento para executarem atividades repetitivas e metódicas, ótima memória visual e de longo prazo e, ainda, boa identificação de padrões.

“O clima de colaboração da minha equipe é emocionante, eu nunca fui tratada dessa forma, sem distinções. Não é um problema as pessoas saberem lidar ou não comigo, mas o respeito que elas têm me motiva. Trabalhar aqui tem sido uma experiência fantástica", explica Vitória.

Iniciativas de inclusão de autistas na força de trabalho estão dando os primeiros passos. 

Recentemente, o  SAP Labs Latin America, centro de desenvolvimento e suporte da multinacional alemã localizado em São Leopoldo, na região metropolitana de Porto Alegre, anunciou duas contratações dentro de outro programa, também feito com a Specialisterne Foundation, presente no Brasil há um ano.

Estudos mostram que 1% da população do mundo tem autismo, o equivalente a 70 milhões de pessoas. Segundo estatísticas compiladas nos Estados Unidos, 90% tem dificuldade em encontrar trabalho.

A SAP desenvolveu em 2013 dois projetos pilotos na Irlanda e Índia para aproveitar os talentos característicos de pessoas com autismo, como a capacidade de concentração, nas áreas de software, programação e gerenciamento de dados. 

A iniciativa foi replicada para todas as unidades da empresa globalmente e já é realizada em países como Brasil, Canadá, República Checa, Alemanha, Índia, Irlanda e Estados Unidos. Em 2016, também será inserida na Austrália e Coréia.  A Microsoft tem uma iniciativa similar, inclusive trabalhando com a mesma ONG.

Até 2015, a empresa já tinha contratado 53 funcionários em todo o mundo através de seu programa Autism at Work. A meta é que o número chegue a 700 até 2020, o equivaleria a 1% do total. 

Maurício Renner