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CORREIO

Dataprev vai vender Outlook

Maurício Renner
// terça, 12/09/2017 09:00

A Dataprev, estatal de processamento de dados federal ligada à Previdência Social, deixará de oferecer o software de correio eletrônico open source Expresso para os seus clientes e começar a vender diversas opções, incluindo software da Microsoft.

Sede da Dataprev em Brasília. Foto: divulgação.

De acordo com informações do Convergência Digital, a ideia da Dataprev agora é ter um “cardápio diversificado”, nas palavras do superintendente de operações da Dataprev, Helton Moreira.

Moreira citou especificamente o Zimbra, outra solução de código aberto, e, mais importante, o Outlook Web Access.

Oferecer um software de comunicação da Microsoft é uma alteração radical da estratégia de TI do governo durante as administrações petistas.

A decisão da Dataprev é uma radicalização da tática adotada pelo Serpro, estatal federal de processamento de dados ligada à Receita Federal e responsável pelo desenvolvimento do Expresso.

Recentemente, o Serpro decidiu abandonar o desenvolvimento do Expresso, no qual vem trabalhando há uma década, para lançar o Serpro Mail, baseado em Zimbra.

O novo Serpro Mail manterá o status do Expresso como “solução oficial de governo”, com a possibilidade de ser contratado sem licitação.

Um dos motivos para a mudança pode ser a queda livre do Expresso, que chegou a ter 500 mil contas, mas, na última divulgação oficial, no início de 2016, tinha só 56 mil contas ativas no governo federal.

No seu modelo comercial normal, o Zimbra tem uma versão open source gratuita e outra paga, com suporte e tecnologia de mensagens instantâneas, conectores com Outlook e sincronização de contatos.

O Serpro não deu maiores detalhes sobre como será feita a divisão das receitas com a multinacional, descrevendo apenas uma parceria em termos genéricos.

Em outra matéria recente, o Convergência revelou que tanto Serpro como Dataprev estão se reposicionando no mercado, tendo em mente atuar no futuro de forma conjunta como cloud brokers, ou seja, intermediários para a compra de computação em nuvem por parte do governo.

Inicialmente, a nova política de TI do governo Temer no sentido de abandonar o desenvolvimento interno de software open source e começar a contratar software proprietário através da nuvem foi recebida com entusiasmo na iniciativa privada, animada com a possibilidade atender o grande volume de compras do governo.

Agora, no entanto, começa a ficar claro que as estatais de TI já escutaram como a banda toca e estão se posicionando nas melhores partes do salão. As empresas privadas de TI não gostaram e começam a se manifestar.

“Mesmo sabendo que as empresas públicas são mal geridas, pessimamente organizadas e usualmente usadas como cabide de empregos, não se pode negar a infinidade de restrições que os editais podem impor às empresas privadas quando o próprio governo é quem está na disputa”, aponta Augusto Bueno, diretor da Assespro-RS, em um artigo publicado no Baguete.

O problema para empresas nacionais de TI, é como reverter o quadro. Para multinacionais como Microsoft, Google e Amazon, que estão tendo as portas do governo abertas após anos, a situação atual já é uma vitória, mesmo que suas vendas venham a ser eventualmente intermediadas pelo Serpro e Dataprev.

Maurício Renner