MEGA NEGÓCIO

Dell: US$ 67 bilhões pela EMC

12/10/2015 10:38

Michael Dell fechou o maior negócio da história da TI. Foto: Dell.

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A Dell ofereceu US$ 67 bilhões para comprar a EMC nessa segunda-feira, 12, no que pode vir a ser a maior compra da história do setor de tecnologia em todos os tempos.

Caso seja concluída, a operação criará a maior empresa de controle privado de tecnologia do mundo, disse a EMC em nota. A expectativa é a que a fusão esteja concluída entre maio e outubro de 2016.

Com o negócio, o CEO da EMC, Joe Tucci, deve se aposentar e a empresa deixará de ter ações na bolsa. A VMware, adquirida pela EMC em 2004 e hoje um negócio maior do que a companhia mãe, deve seguir independente.

A operação é uma tacada e tanto para a Dell, que tem um valor de mercado de US$ 25 bilhões, a metade da EMC.

O valor da oferta, de US$ 33,15 por ação, ficou 22% acima dos US$ 27 que rumores sobre o negócio indicavam na semana passada. Mesmo o valor mais baixo ainda configuraria o maior negócio da história da tecnologia, bem à frente da compra da Broadcom pela Avago por US$ 37 bilhões ainda em maio.

Para dar uma dimensão brasileira aos valores, com uma cotação do dólar ao redor de R$ 4, a Dell pagou pela EMC quase três vezes o valor de mercado atual da Petrobras.

A operação vai ser financiada com uma combinação de novas ações ordinárias da Dell, recursos do fundos Silver Lake, MSD e Temasek, recursos em caixa da Dell e um novo financiamento.

A compra é a maior tacada até agora na estratégia da Dell de expandir seus negócios além dos seus mercados tradicionais de PCs, atualmente em decadência, e servidores, principalmente para pequenas e médias organizações, um tipo de produto que segue a mesma trajetória de comoditização.

O negócio fortalece a mão da Dell no seu reposicionamento como um competidor de players como HP e IBM, ao agregar amazenagem de dados à oferta de servidores e serviços de TI.

Agora, a Dell pode dizer que tem a oferta completa, do PC até o data center. A IBM, no entanto, vendeu seu negócio de PCs para a Lenovo e a HP se dividiu em duas, colocando o negócio de PCs separado do lado corporativo. 

Uma movimentação de impacto era esperada desde 2013, quando Michael Dell retomou o controle total da empresa que fundou, em um negócio de US$ 25 bilhões. Na época, Dell disse que queria reestruturar o negócio longe das pressões de curto prazo dos investidores.

Agora é ver como as duas empresas vão integrar os seus negócios, o que não deve ser uma operação simples. A EMC tem um modelo de gestão bem diferente da centralização em curso na Dell.

Desde 2013, EMC vem defendendo um modelo de "federação" para evitar vender algumas de suas divisões, adquiridas como uma estratégia de expansão do seu negócio tradicional de storage.

Além da VMware, gigante de virtualização na qual detém 83% das ações, a EMC agregou itens de segurança ao comprar a RSA; e ferramentas de desenvolvimento ágil em nuvem com a Pivotal.

Existe também a questão de sobreposição em parte da linha de produtos de storage das empresas, envolvendo EqualLogic e Compellent, da Dell, com a linha VNX e VMax da EMC. 

O acordo pode ainda colocar em risco a lucrativa VCE, parceria entre a EMC, VMware e Cisco Systems, uma empresa que concorre com a Dell em produtos de redes.

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