Ilan Goldman, presidente da Assespro-RJ.

O presidente da Assespro-RJ, Ilan Goldman, divulgou um manifesto afirmando uma postura contrariada da entidade ante a inauguração do Parque Tecnológico Barão de Mauá, espaço da zona portuária do Rio de Janeiro que foi revitalizado e agora abriga um centro de P&D e uma aceleradora de negócios da Microsoft.

O dirigente faz questão de frisar que a Microsoft “não tem nada com isto” e que deseja à companhia “muito sucesso no Barão de Mauá”, mas ao prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), destaca que “fez um desfavor a sua cidade” e que espera “um gesto com um pedido de desculpas e outro de agradecimento pelo projeto”, que ele designa como encabeçado pela entidade.

Goldman explica que ainda antes do primeiro ano do atual mandato da prefeitura, a Assespro-RJ reuniu um grupo de empreendedores e discutiu ações propositivas para alavancar o setor, aproveitando o anúncio da gestão  municipal de focar a TI como prioritária.

“Durante um ano e meio, focamos na ideia e concebemos do zero o projeto do Parque Tecnológico Barão de Mauá - espaço que incluiria laboratórios de TI, visando o desenvolvimento das empresas cariocas e uma incubadora de empresas start-ups, apoiada  por um ambiente empresarial”, afirma ele, no comunicado.

Segundo o gestor, a Assespro-RJ fez o anteprojeto, projeto, estudo de viabilidade, de governança, reuniões com a comunidade, com parceiros, com a Companhia de Gás, conquistou apoio do Sebrae e de outras instituições.

Tudo com o aval e a participação do IPP - Instituto Pereira Passos, garante o gestor.

“Participamos então de um concurso, promovido pela prefeitura, última etapa para que a ideia saísse do papel. Nosso projeto foi o primeiro colocado!”, relembra. ”Um belo dia, recebemos a notícia que o projeto estava abortado. A prefeitura teria decidido não aportar mais o valor que lhe cabia”, lamenta.

O dirigente avalia o “aborto” como um direito da prefeitura, mas mostra-se surpreso com o fato de que, passados alguns meses, o projeto é anunciado com novos parceiros.

“A Assespro-RJ foi simplesmente substituída. Como no futebol”, comenta.

Quando soube do lançamento do projeto, na quinta-feira, 08, Goldman diz que a entidade sequer foi convidada, e que se sentiu “exatamente como o governador e prefeito estão agora se sentindo com o projeto da divisão dos royalties do petróleo”.

Goldman afirma, ainda, que a TI carioca está triste e que talvez falte aos governantes mais sensibilidade aos ideais, argumentando que as grandes conquistas do mundo se baseiam em crenças e que o pragmatismo se instalou na decisão do Porto Maravilha.

“Nossa ideia era muito boa. Tão boa que a Microsoft aderiu. Tão boa que a prefeitura aderiu. Tão boa que o próprio governo federal a incluiu no projeto Brasil TI Maior”, destaca o presidente.

Na inauguração do projeto criticado pela Assespro-RJ, a Microsoft anunciou que vai construir seu primeiro centro de tecnologia e desenvolvimento de produto no Brasil, no chamado Porto Maravilha, com investimento de R$ 200 milhões.

O montante inclui também uma aceleradora de negócios, que irá se chamar Acelera Rio e terá incubadora de empresas, Laboratório de Tecnologia Avançada (ATL, na sigla em inglês) da Microsoft Research e uma unidade de desenvolvimento da plataforma de busca Bing.

Abaixo, a íntegra do manifesto da Assespro-RJ.

"Quinta-feira, 8 de novembro de 2012, dia triste para a TI carioca
Esta noite mal dormi. Fiquei pensando nos e-mails que pipocaram o dia inteiro na minha caixa postal. Não eram exatamente mensagens positivas e educadas.

Tudo começou com a notícia do lançamento do projeto da Microsoft no Edifício Barão de Mauá, primeira sede da Companhia de Gás, em área considerada do Porto.

Para quem acompanha os projetos da Assespro-RJ, ainda antes do primeiro ano do atual mandato da prefeitura, ficamos entusiasmados com o fato de que o prefeito anunciava a TI, como setor prioritário da sua gestão. Camisas arregaçadas, juntamos um grupo de empreendedores e discutimos ações propositivas para alavancar o setor, aproveitando a oportunidade.

Durante um ano e meio, focamos na ideia e concebemos do zero o projeto do Parque Tecnológico Barão de Mauá - espaço que incluiria laboratórios de TI, visando o desenvolvimento das empresas cariocas e uma incubadora de empresas start-ups, apoiada  por um ambiente empresarial.

Fizemos o anteprojeto, projeto, estudo de viabilidade, de governança, reuniões com a comunidade, com parceiros, com a Companhia de Gás, apoio do Sebrae e de outras instituições, tudo com o aval e a participação do IPP - Instituto Pereira Passos.

Participamos então de um concurso, promovido pela prefeitura, última etapa para que a ideia saísse do papel. Nosso projeto foi o primeiro colocado! Foram milhares de horas alocadas, da concepção da ideia ao projeto final, a maior parte do tempo por trabalho voluntário de pessoas que tinham conhecimento e capacidade para empreender.

Qual nossa surpresa quando um belo dia recebemos a notícia que o projeto estava abortado.

A prefeitura teria decidido não aportar mais o valor que lhe cabia. Era um direito deles, mesmo que isto representasse uma ducha fria para quem tinha acreditado no discurso anterior.

Passados poucos meses ficamos sabendo que o projeto tinha novos parceiros. A Assespro-RJ foi simplesmente substituída. Como no futebol. Ou seja, a ideia, a concepção, o projeto, o trabalho, feito por nós foi repassado como se passa manteiga no pão.

Ontem soubemos do lançamento do projeto. Sequer fomos convidados. Nos sentimos exatamente como o nosso governador e prefeito estão agora se sentindo com o projeto da divisão dos royalties do petróleo. Como é possível que algo que nos pertencia, ao menos no valor moral e ético, passa ao outro sem qualquer pudor!

A TI carioca está triste. Talvez falte aos nossos governantes um pouco mais de sensibilidade ao que chamamos de ideal. As grandes conquistas do mundo se baseiam em crenças, que compõem um ideal. O pragmatismo que se instalou nesta decisão mostra quão longe nossos líderes ainda se encontram da sociedade.

Nossa ideia era muito boa. Tão boa que a Microsoft aderiu. Tão boa que a prefeitura aderiu. Tão boa que o próprio governo federal a incluiu no projeto Brasil TI Maior.

Desejaria poder dizer ao prefeito que ele fez um desfavor a sua cidade. Já teria dito isto muito antes se ele tivesse aceitado nos receber quando pedimos uma audiência. Sempre negada.

Nosso prefeito tem tudo para ser uma grande liderança no Brasil. Já demonstrou ter capacidade, competência e energia para isto. Que ele possa refletir sobre o que fez. Talvez, quem sabe, podemos esperar um gesto com um pedido de desculpas e outro de agradecimento pelo projeto que entregamos.

Para a Microsoft, que não tem nada com isto, desejamos muito sucesso no Barão de Mauá.

Para todos que colaboraram com o Parque Tecnológico Barão de Mauá, não será este triste episódio que nos impedirá de seguir construindo a história da TI do Brasil.
Ilan Goldman
Presidente da Assespro-RJ"