Dá para encomendar linguiça do Mercado Público. Foto: flickr.com/photos/casafdeportoalegre

Que tal comprar uma cachaça mineira, uma alpargata gaúcha ou um acarajé baiano pela internet? A recém criada startup Entregas.me tem a intenção de atender estes desejos.

O site pretende ser um mediador de entregas de produtos pouco fáceis de encontrar no e-commerce com uma logística colaborativa.

Os amigos Alexandre Ferrari, Rafael Zatti e Victor Silveira, oriundos da área da administração e com experiência em crowdsourcing, se juntaram para colocar em prática um serviço que viam como uma necessidade.

Quando morou na Austrália, Silveira tinha dificuldade para conseguir erva-mate para seu chimarrão de cada dia. Era preciso encomendar com brasileiros dispostos a trazer o "ingrediente".

A partir daí surgiu a ideia de montar uma plataforma em que as pessoas podem cadastrar o produto que desejam e receber a encomenda das mãos de alguém que tem o interesse de fazer a entrega.

Conforme Alexandre Ferrari o objetivo é minimizar a distância entre as pessoas. “Queremos retomar o valor de confiança entre as pessoas, já que a entrega é feita pessoalmente”, explica.

No site, é possível fazer um cadastro de qualquer objeto, com uma descrição específica, definir o preço do produto, o quanto paga pela entrega e depositar o valor total através do Moip, um intermediário financeiro que retém o valor até a autorização.

Todo produto cadastrado passa por uma aprovação para ser posteriormente disponibilizada no site. A partir daí, espera-se que surjam os interessados para que se possa fazer a escolha de quem irá entregar.

A equipe do Entregas.me coloca ambos usuários em contato e faz o monitoramento para que não fiquem dúvidas. Para não gerar desagrado, os termos de uso alertam para que as especificidades do produto estejam detalhadas na descrição.

Atualmente, há pedidos inusitados e que, na maioria, caracterizam-se pela exclusividade regional. Alguns exemplos são a cerveja Vitrola, encontrada apenas no bar Parangolé, na Cidade Baixa; uma camisa do Tupi, clube de Juiz de Fora, Minas Gerais, desejado por um gaúcho; ou uma compota de pimenta cumari, tradicional do Pará.

Um usuário de São Paulo desejava uma alpargata, daquelas vendidas no Mercado Público de Porto Alegre, e propôs pagar R$ 20 pelo produto mais R$ 15 pela entrega. Já em trânsito, o calçado será transportado por outro usuário que já tinha viagem marcada para a capital paulista.

De acordo com urgência do usuário, futuramente será possível estabelecer uma data máxima para a entrega que poderá influenciar na comissão final.

Segundo o idealizador, esta é uma maneira de otimizar um fluxo já existente. “O interior, por exemplo, tem uma movimentação de ônibus diariamente que pode ajudar na entrega de produtos até comuns como livros, mas que demoram a chegar quando a compra é feita pelo grande e-commerce”, diz.

Ainda sem um modelo de negócio bem delineado, a startup se define como um marketplace que  acelera entregas. “Funciona como um classificados, é um site simples e funcional”, acredita Ferrari.

Sem estabelecer metas de faturamento, a empresa quer atingir 50 mil visualizações no primeiro mês no ar – o site foi lançado oficialmente no dia 1º de novembro – e ter um crescimento significativo com as demandas e viagens das festas de final de ano.

“Nosso lucro será gerado nos 20% da entrega. Este é um modelo que exige volume. Por isso, estamos conversando com pessoas interessadas em investir, pois um aporte nos permite crescer mais rápido”, diz.