Numeração feminina atual não se baseia nos biotipos das brasileiras. Foto: Kzenon/Shutterstock.com

O Comitê Brasileiro de Têxteis e do Vestuário (ABNT/CB-17), da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), usa o sistema Audaces 3D para criar uma nova padronização de medidas referenciais do corpo humano para roupas femininas produzidas no país.

Com o uso da ferramenta, o comitê espera concluir a padronização até o primeiro semestre de 2015. 

O Audaces 3D serve para o desenvolvimento de manequins virtuais que terão os padrões de medidas mais comuns entre as brasileiras.

Os números foram identificadas em levantamento do SENAI-Cetiqt, do Rio de Janeiro, que contou com estudos antropométricos feitos com mais de 7,4 mil pessoas do país. 

Rodrigo Cabral, diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Audaces, explica que antes o estudo das proporções médias era realizado sem feedback visual. 

"Com o sistema 3D, os pesquisadores puderam visualizar, pela primeira vez, modelos virtuais com os padrões identificados pela pesquisa", afirma.

A padronização de medidas já foi realizada para os públicos infantil e masculino adulto. Com ela, grifes e lojas virtuais comercializam as peças observando o comprimento de braços e pernas, quadril e ombro de seus clientes. 

“As marcas infantis que adotaram o padrão viram vantagem na mudança pela redução das trocas na loja e pelo método facilitar o e-commerce”, explica Maria Adelina Pereira, superintendente do Comitê Brasileiro de Têxteis e do Vestuário.

Segundo ela, a numeração feminina atual segue padrões europeus e, apesar de ser adaptada ao Brasil, não se baseia nos biotipos das brasileiras. 

A nova norma pede que seja feita uma indicação da vestibilidade a partir de dados como tamanho da cintura e do quadril.

“Trabalhávamos até agora com um único biotipo, mas com a norma vamos informar três tipos de corpo, de acordo com a relação de medidas de busto, cintura e quadril”, explica.

A medida "retângulo" é para mulheres que tem tamanhos muito similares de ombro, busto e quadril. Já a mulher “colher” é a que tem medidas parecidas para busto e cintura, mas um quadril maior. Outra possibilidade é a “triângulo”, na qual as medidas são crescentes dos ombros para o quadril.

“Acredito que as marcas possam adaptar uma mesma roupa para diferentes tipos de corpo, para ampliar seu mercado, a não ser que sejam focadas em um público muito específico”, relata Maria Adelina.

Segundo ela, não haverá imposição para que as medidas sejam adotadas pelas confecções. 

"É algo que o mercado adotará naturalmente. O consumidor ficará mais satisfeito e optará por roupas que lhe vistam melhor, que tenham suas proporções", diz.