Atraso nas obras da BR-101 é prejuízo para o sul catarinense. Foto: divulgação.

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De acordo com estudo divulgado pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), os atrasos nas obras de duplicação do trecho Sul da BR-101 devem render até o final de 2012 um prejuízo de R$ 32,7 bilhões para a economia da região.

Conforme aponta o relatório, contratado pela Fiesc e realizado pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), os três anos de atraso nas obras provocaram uma perda financeira equivalente a 4,6 vezes o PIB médio registrado de 2005 a 2009 no Sul.

Os R$ 32,7 bilhões de perdas consideram a variação do PIB em relação aos investimentos feitos em obras de duplicação.

No cálculo não foram consideradas variáveis como o tempo de caminhões parados na estrada por causa da interrupção das pistas, tempo em congestionamentos, cargas perdidas, seguros e acidentes.

SUL X NORTE

Além disso, o estudo estabeleceu uma comparação entre as perdas da metade sul em relação ao norte do estado, que tem a rodovia duplicada.

Foram avaliados quase 50 indicadores e constatou-se que o desenvolvimento do Norte é 31,6% superior ao do Sul.

O documento confrontou índices como taxa média de crescimento populacional, desenvolvimento humano, incidência de pobreza, taxa de natalidade e mortalidade, balança comercial, número de empresas, de pessoas por companhia e de empregos formais, taxa de criação de empresas e empregos e salários médios.

O comparativo aponta que a balança comercial do norte é 930% superior à do sul. O número de empresas na região norte também é maior (220 % a mais), assim como o índice de criação de empregos (40% maior).

Na parte de exportações, a diferença é ainda mais gritante: o norte catarinense bate o sul por 6.000%.

SOLUÇÕES

O levantamento sugere uma série de investimentos para acelerar o desenvolvimento regional e minimizar os prejuízos causados pelo atraso nas obras, como a implementação do projeto de modernização do porto de lmbituba e viabilização do complexo portuário.

Outra sugestão é a conclusão dos 22 quilômetros restantes para a interligação dos 774 quilômetros da BR-285, que liga São Borja, que faz fronteira com a Argentina, ao litoral catarinense em Araranguá.

Além disso, segundo a entidade, é necessário o inicio das obras de interligação da malha da Ferrovia Tereza Cristina (FTC), constituindo a Ferrovia Litorânea, que permitirá a formação do corredor ferroviário/portuário em Santa Catarina, interligado ao Brasil e ao Mercosul.

PLANO

Segundo a ordem de serviço autorizada em 2005 pelo governo federal, a duplicação do trecho sul estava orçada em US$ 800 milhões com previsão de conclusão em dezembro de 2009.

Conforme estudo recente da Fiesc ainda falta mais R$ 1,22 bilhão para que a duplicação chegue ao fim. Um estudo recente da federação projeta a conclusão total da BR-101 Sul para o primeiro semestre de 2017.

"O documento é uma importante peça para que as lideranças catarinenses busquem não só aceleração dos trabalhos de conclusão das obras como também compensação pelas perdas", diz o presidente da federação, Glauco José Côrte.