Acordo previa que Positivo montaria os celulares da Huawei no país.

A Huawei cancelou o acordo fechado com a Positivo em junho para que a marca brasileira importasse os smartphones dos chineses para o país.

A informação é do Valor Econômico, segundo o qual a Huawei decidiu montar os aparelhos no país, por meio de fabricantes como a também chinesa Foxconn, que tem uma sede e uma fábrica em Jundiaí, no interior de São Paulo.

O plano original era que a Positivo importasse, distribuísse e produzisse os aparelhos da Huawei no Brasil, a começar pelo smartphone P20 Pro, dono da melhor câmera do mercado, segundo ranking do site especializado DxOMark.

O plano divulgado inicialmente, em um concorrido evento realizado em Brasília, era que os celulares chegassem ao mercado no terceiro trimestre de 2018. Não há um novo prazo. 

Tanto Huawei como Positivo estão escondendo o jogo sobre o que realmente o que aconteceu e o que deve acontecer daqui para frente.

Nenhuma delas falou com o Valor. Com a matéria na rua no principal jornal de economia do país, ambas optaram pelos típicos comunicados que não dizem nada com nada.

A Positivo emitiu o seguinte comunicado a Mobile Time: “Diante de todos os acontecimentos recentes, a Positivo ainda está em fase de discussão com a Huawei sobre se irá participar e como será sua eventual entrada no Brasil.”

A empresa brasileira não explicou o que significa “todos os acontecimentos recentes” e se o contrato foi realmente rompido ou não, talvez denotando uma esperança de resolver o caso.

Já a Huawei enviou o seguinte comunicado, na qual usou ainda mais palavras para dizer ainda menos: “O foco principal da Huawei CBG internacionalmente  é o consumidor. Estamos comprometidos em trazer as melhores soluções de tecnologia aos consumidores em todo o mundo que pedem por elas – e o Brasil não é uma exceção. Embora não comentemos rumores e especulação, o Brasil é o quarto maior mercado de smartphones no mundo em número de unidades embarcadas. Baseados nas oportunidades de negócios, continuaremos a estudar o mercado e avaliar os melhores produtos e experiências necessárias para atender à demanda e expectativas dos brasileiros“.

Não é a primeira vez que os chineses se atrapalham no mercado de celulares brasileiros.

No final de 2014, a empresa entrou no país com o  Ascend P7, seu topo de linha para 2015. O aparelho teve baixo volume de pedidos, o que fez com que a empresa desistisse de atuar no país.

O ano de 2015 foi justamente o boom da Huawei no mercado mundial: a empresa passou dos 100 milhões de unidades, terminando o ano como a terceira maior fabricante de celulares no ranking da consultoria norte-americana IDC.

Desde então, a marca chinesa já assumiu o segundo posto na lista, superando a Apple em número de aparelhos vendidos, com 14,6% do mercado no terceiro trimestre de 2018. 

O plano da parceria com a Positivo era conquistar 1% do mercado nacional de smartphones logo no primeiro ano de vendas, algo como 500 mil aparelhos.

O naufrágio do acordo é uma péssima notícia para a Positivo, que está apostando suas fichas em smartphones, em meio ao que parece ser uma estagnação definitiva do mercado de PCs, até então seu ponto forte.

A Huawei dava à Positivo uma entrada em produtos de faixa média e alta, o que é complementar a sua atuação nos celulares mais baratos.

Com os celulares próprios, a Positivo teve retração de 26% no volume de aparelhos vendidos em 2017.  A empresa comercializou 1,7 milhão de unidades no ano passado.

Segundo a empresa, os concorrentes menores sofreram com a guerra de preços promovida pelas grandes companhias do segmento, que já concentravam 70% do mercado brasileiro e agora tem 80%.

A empresa fechou o ano passado registrando um prejuízo de R$ 47,6 milhões, frente a um resultado positivo de R$ 8,8 milhões em 2016. 

Em sua divulgação de resultados, a companhia atribui o prejuízo ao fato de um estado não ter pagado um lote de notebooks para fins educacionais, um “episódio inédito”.

A Positivo frisa que sem esse calote a empresa teria ficado no azul, com um lucro de R$ 4,4 milhões, ainda assim, 50% menor que o obtido em 2016.

De maneira geral, a companhia cresceu 9,6%, para R$ 1,9 bilhão um resultado melhor que o de 2016, quando a empresa cresceu 5,3% e um sinal de que a empresa superou os anos de desaceleração de 2015 (-20%) e 2014 (-9,2%).

O resultado foi puxado pelas vendas de computadores, que voltaram a crescer no ano que passou, após seguidos tombos desde 2014. Foi um avanço de 71,3% ante 2016, bem acima da média de mercado de 15,6%, de acordo com dados do IDC.

Essa alta foi puxada principalmente pelo setor público, que comprou 344,9% mais aparelhos da empresa em 2017. O segmento de governo aumentou as compras em 121%, um ritmo muito superior ao varejo, no qual o crescimento foi de 28,5%.

O crescimento era esperado após anos de derretimento do mercado de PCs: entre 2014 e 2016, período em que o mercado contraiu 67,8%, deixando boa parte do parque de computadores do país com máquinas envelhecidas.

O problema para a Positivo é que essa recuperação do mercado de PCs pode ser um soluço, em um segmento que está condenado ao declínio ou à estagnação no longo prazo.

Para combater isso, a Positivo coloca suas fichas para o futuro no mercado de celulares.

Em 2015, a empresa criou a Quantum, uma marca focada em disputar o mercado de equipamentos intermediários para competir na faixa povoada por empresas asiáticas como Asus.