Brasileiros estão sendo cada dia mais barrados na entrada do baile europeu.

Diferentes países da União Europeia impediram a entrada de 2.225 brasileiros no continente nos primeiros seis meses do ano, um aumento de 45% frente ao mesmo período do ano passado.

Os dados são da Agência de Fronteiras da UE, conhecida como Frontex. A alta é considerada a maior registrada este ano entre todos os países e coloca o Brasil no top 10 dos mais barrados ocupando a nona posição, informa o Estadão

Como a UE não exige visto prévio, as autoridades de cada país podem negar a entrada para brasileiros na chegada, caso considerem que existe evidências de que a intenção é permanecer ilegalmente no país para além dos três meses do visto de turista.

O percentual de brasileiros no total ainda é pequeno, ficando perto de 2%. Ao todo, nos seis primeiros meses do ano, os europeus impediram a entrada de 93 mil estrangeiros, a maioria cidadãos de Ucrânia, Albânia e Rússia. 

Mesmo assim, o número de brasileiros barrados está em alta, em um ciclo que parece espelhar a situação econômica do país e a consequente vontade de tentar uma vida fora.

A partir de 2008, o total de brasileiros barrados na Europa caiu, passando de 11,1 mil, em 2008, para 4,7 mil, em 2011, e 3 mil, em 2012. Dois anos depois, a quantidade de brasileiros impedidos de entrar na UE foi de apenas 2,2 mil. 

A primeira alta de fato foi registrada em 2017, com 3,1 mil brasileiros barrados. Em 2018, essa tendência ganhou força. 

Um estudo do Datafolha sobre o assunto divulgado neste final de semana pela Folha de São Paulo mostrou que quase a metade (43%) dos adultos brasileiros sairia do país se tivesse condições, uma cifra que aumenta nas camadas mais jovens, melhor educadas e com mais renda da população.

Por faixas etárias, o desejo é mais forte quando mais jovem é o pesquisado. Assim, o interesse por emigrar chega a 62% entre pessoas entre 16 a 24 anos, que cresceram em meio a crise econômica e política. É o maior índice entre todas as faixas pesquisadas.

Para pessoas entre 25 a 34, no começo da vida profissional, a cifra é 50%. Na faixa seguinte, entre 35 e 44, ela cai um pouco, para 44%, chegando a 32% entre 45 a 59 e 24% na de 60 anos ou mais.

Quando o corte é por nível educacional, a resposta é positiva para 56% dos pesquisados com nível superior, 48% para nível médio e 27% para nível fundamental. Já por classes sociais é 51% para AB, 44% para C e 30% para DE.