Close da fachada da Procergs.

Ademir Picolli, ex-presidente da Procergs durante o governo Yeda Crusius (PSDB) e Roni Marques, diretor de operações durante o governo Germano Rigotto (PMDB) são os nomes mais cotados para assumir a Procergs no governo José Ivo Sartori (PMDB).

A informação foi levantada pelo Baguete Diário junto a fontes próximas da estatal de processamento de dados. No entanto, boa parte das pessoas ouvidas pelo Baguete disse que o clima é de incerteza, dentro da tônica geral do recém-inaugurado governo Sartori.

Mais de dois meses após a vitória e há duas semanas no Piratini, Sartori nomeou apenas uma pequena parte dos presidentes de seis das 41 fundações, autarquias, empresas de economia mista e uma associação civil ligadas ao poder público. Alguns analistas políticos já definem a demora como a maior desde a redemocrazição.

Até agora, foram feitas nomeações apenas para o que pode ser considerado o filé do segundo escalão, como a CEEE.

A Procergs é parte do grupo das chamadas empresas de economia mista, com servidores CLT e capital aberto, mas controle público, junto com o Banrisul, Badesul, Corsan, Sulgás e outras. Para seguir com a metáfora carnívora, a estatal de processamento de dados gaúchas é carne de pescoço.

A governadora Yeda Crusius chegou a nomear um presidente para a Procergs bem entrado no mês de fevereiro.

Os dois nomes levantados pela reportagem do Baguete são de insiders da empresa, atualmente longe da organização.

Piccoli entrou na Procergs em 2003 e foi vice presidente, diretor comercial e finalmente presidente da estatal de outubro de 2008 até janeiro de 2011.

Depois, foi para o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, onde atuou como Gestor do Programa de Virtualização Processual, saindo em março de 2013.

Desde então, Piccoli está a frente dos seus negócios de consultoria. Roni Marques também entrou na Procergs em 2003, tendo passado pela diretoria de operações da Procergs no governo Germano Rigotto e de desenvolvimento no governo Yeda.

Ligado ao PMDB gaúcho, Marques fez uma tentativa mal sucesida de ser candidato a vice-prefeito com José Fortunati em 2012. O profissional saiu da estatal em 2008 e participa do grupo de TI do PMDB.

Piccoli, por seu lado, tem um maior trânsito no meio de TI do Rio Grande do Sul, nos quais é uma presença frequente em eventos da área e participação ativa em entidades como a Sucesu-RS. Além disso, é de Caxias do Sul, terra do atual governador. Resta saber que influência esses dois fatores podem ter.

Ainda existe a possibilidade de surgir um outro nome nas próximas semanas ou meses, uma vez que a administração Sartori pediu ao governo Tarso Genro (PT) para não exonerar os presidentes das empresas de economia mista e está indicando interinos para algumas delas.

No entanto, a experiências dos últimos anos com nomes de fora da empresa não indica que esse seja o melhor caminho.

Durante o governo Yeda, foi nomeado para o cargo Pedro Gabril, um funcionário de carreira das áreas de auditoria do Rio Grande do Sul que chegou a ser secretário de administração por nove meses no governo anterior. 

Gabril não chegou a completar seis meses no cargo, saindo em meio a alegações de desentendimento com a direção da empresa, na qual figuravam na época tanto Piccoli quanto Marques.

No começo do governo Rigotto, em 2003, foi nomeado para o cargo o deputado federal pelo PHS e dono da Calçados Beira Rio, Roberto Argenta, que se demitiu seis meses depois.

A Procergs é uma estatal importante no cenário de TI gaúcho, com cerca de 1 mil funcionários.

Em março, hologou um contrato de fábrica de software no valor de R$ 9,9 milhões com a DBServer.

No entanto, administrar a estatal é um osso duro de roer, uma vez que o trabalho da empresa não é exatamente uma grande vitrine para políticos. 

Além disso, os funcionários da empresa são um dos principais públicos do Sindppd-RS, combativo sindicato liderado por Vera Guasso (PSTU) e a duros embates anuais em torno do dissídio.