Equinix salvou os clientes da Serverloft. Foto: Pixabay.

A Equinix colocou de volta no ar os sites de 16 mil clientes da Serverloft, um provedor de data center paulista que usava a infraestrutura dos centros de dados da multinacional.

Os clientes ficaram fora do ar e sem acesso aos seus dados depois que a Equinix encerrou a prestação de serviços para a Serverloft por falta de pagamento.

Com a decisão da Equinix, todos os clientes afetados passam a contar com os mesmos níveis de acesso de antes da interrupção para poderem fazer backup, extrair dados e migrar os serviços para outros provedores.

A informação veio da Abrahosting, uma associação de empresas da área de hospedagem que, mesmo não tendo a Serverloft entre os seus associados, fez gestões junto à Equinix para ajudar os clientes prejudicados.

Alguns desses clientes também haviam acionado a Equinix na justiça. Os problemas afetaram diversos tipos de organizações, incluindo prefeituras, hospitais, sites e e-commerce e outras empresas privadas. A Equinix não comenta o caso.

De acordo com a Abrahosting, este foi o primeiro grande caso de "apagão digital" já registrado no Brasil. 

Segundo a reportagem do Baguete pode averiguar com Adriano Mendes, da Assis e Mendes Advogados, escritório paulista que está representando alguns dos afetados, a Serverloft acumulava uma conta de seis meses com a Equinix, enquanto seguia cobrando seus clientes.

Em dezembro, empresa avisou em seu painel de status que tinha um problema de energia nos seus racks da Equinix. No dia seguinte, o aviso era que o caso era de "âmbito jurídico", e que uma nova posição seria dada em 60 dias.

A empresa fechou os canais de atendimento e não fez novos updates no site. A página web da Serverloft, aliás, segue no ar, um sinal de que a empresa está hospedada em algum outro lugar.

Organizados em grupos no Facebook e no WhatsApp, clientes da Serveloft promoveram uma verdadeira caçada ao dono da empresa, Paulo Zivieri. 

A reportagem do Baguete também não localizou Zivieri, que, pelas suas postagens no Facebook, aparenta ser um jovem de pouco mais de 30 anos com apreço por fotos do tipo selfie.

Em seu perfil no Linkedin, a Serverloft diz ter sido fundada em 2013 e se anuncia como "um dos principais players do mercado corporativo de cloud computing". O mesmo perfil diz que a empresa tem entre 11 e 50 funcionários. 

Uma pesquisa na rede social profissional só retorna o perfil de Zivieri e de uma profissional de vendas.

Ao que tudo indica, a Serverloft, é mais uma empresa de hospedagem e computação em nuvem que hospeda equipamento em colocation em grandes players como a Equinix, vivendo da margem de lucro.

“O nosso mercado é repleto de empresas informais ou individuais. É só uma pessoa ali trabalhando fazendo tudo. É preciso ter muito cuidado para selecionar um fornecedor para algo tão crítico", afirma Vicente Neto, presidente da Abrahosting, uma associação de empresas do setor.

Segundo o Hostmapper existem mais de 700 empresas de hosting no mercado brasileiro. Apesar disso, a Abrahosting tem apenas 30 associadas (a Serverloft não é uma delas). Neto atribui a diferença à exigências para associação que incluem formalidade, atuação mínima de três anos de mercado, entre outros.