Fundo Pitanga investe na Satellogic. Foto: divulgação.

O fundo Pitanga, empresa de investimentos paulista criada em 2011, está mirando além das empresas de TI em seus aportes. O fundo acabou de fechar um acordo de investimento na startup argentina Satellogic.

A Satellogic constrói satélites de observação terrestre, capazes de monitorar o planeta a uma distância de pelo menos 160 quilômetros da Terra. A informação é da Exame.

Este é o segundo investimento do Pitanga em quatro anos de existência. Antes disso a empresa investiu apenas na campinense I.Systems, companhia que criou o software para a otimização de processos industriais Leaf.

Em nenhum dos casos o valor do aporte foi aberto. Na época do lançamento do Pitanga, a empresa falava em aportes médios de R$ 15 milhões.

O fundo brasileiro foi acompanhado pela chinesa Tencent, gigante asiática do mercado de internet, avaliada em cerca de US$ 140 bilhões. Ela comprou uma participação semellhante (ambas minoritárias) à da Pitanga na empresa argentina.

O dinheiro dos investidores vai financiar a fase de expansão comercial da Satellogic, que já conta com três satélites em órbita e está se preparando para lançar cerca de mais dez aparelhos nos próximos dois anos.

O interesse dos investidores tem a ver com o preço dos equipamentos da Satellogic, que fabrica satélites de pequeno porte, custando cerca de US$ 250 mil. Segundo estimativas do Pitanga, estes equipamentos permitiriam cobrar apenas US$ 0,05 por quilômetro quadrado fotografado.

O objetivo de longo prazo da Satellogic é lançar uma constelação de 300 satélites pequenos, capazes de captar imagens de um mesmo lugar várias vezes ao dia, diferente de satélites maiores, que passam sobre o mesmo ponto do planeta num intervalo de um a três dias. 

Segundo a Satellogic, o mercado de observação da Terra em setores como agricultura, petróleo e gás deve crescer dez vezes até o final da década, chegando a um faturamento de US$ 25 bilhões.

Os aportes da Pitanga e Tencent na Satellogic mostram uma nova tendência de mercado, em que fundos e empresas privadas estão apostando em iniciativas espaciais, algo que antes era feito principalmente por governos.

Segundo analistas, a corrida espacial que antes era encabeçada por países como Rússia e Estados Unidos agora virou uma competição comercial, já que muitos destes países reduziram os gastos em seus projetos espaciais.

Nos últimos anos, grandes empresários como Richard Branson (Virgin), Elon Musk (Tesla Motors) e Jeff Bezos (Amazon), voltaram seus olhos (e investimentos) para a pesquisa espacial, desenvolvendo projetos desde turismo espacial até terceirização de projetos que antes eram feitos por estatais.

A SpaceX, empresa de Elon Musk, é dona da primeira nave privada a ter visitado a Estação Espacial Internacional e deverá lançar 2 500 satélites nos próximos anos.

A principal concorrência da Satellogic vem dos Estados Unidos, com empresas como a Planet Labs, que já lançou mais de 1 mil satélites. Além disso, o Google comprou no ano passado a Skybox, outra empresa do setor, por US$ 500 milhões. 

Enquanto a empresa argentina prepara para decolar, as iniciativas brasileiras em micro e nanossatélites parecem ter estacionado. O CubeSat AESP-14, nanossatélite 100% fabricado no país, "morreu" no espaço com apenas 15 dias de lançamentos em fevereiro.

Com a "morte" do AESP-14 as esperanças de levar nanosatélites ao espaço e desenvolver tecnologias aeroespaciais dentro do país ficam no Rio Grande do Sul, onde as notícias também não são boas.  

A iniciativa de criação do Polo Aeroespacial Gaúcho era puxada pelo governo gaúcho, envolvendo a empresa de sistemas aviônicos AEL Sistemas, sediada em Porto Alegre, universidades como Unisinos, Ufrgs, PUC-RS e UFSM, além de outras companhias gaúchas como Digicon, GetNet e TSM.

Liderando o grupo, a AEL submeteu o projeto de um microssatélite para o edital Inova Aerodefesa, da Finep.

Entretanto, o programa perdeu força em fevereiro de 2014, depois que o valor inicialmente solicitado de R$ 43 milhões se reverteu em um aporte de R$ 5 milhões da Finep para a AEL. A empresa disse que buscaria outras fontes de recursos, mas não se ouviu mais sobre o assunto.

Em dezembro de 2014, o então governador Tarso Genro (PT-RS) publicou uma carta afirmando que os recursos liberados pela Finep eram insuficientes para a materialização do projeto, o que deixava "sem objeto" o protocolo de intenções firmado com a AEL.