Marcos Malfatti. Foto: divulgação.

A Level 3, multinacional de serviços de telecomunicações, observa no setor varejista brasileiro a alavanca necessária para aumentar a receita com que os serviços de rede na América Latina.

Além do mercado de conectividade e redes, sua principal área de atuação, a multinacional mira segmentos como o videoconferência e comunicação unificada (UC) como uma possibilidade de crescimento na região, com vista a dobrar o seu faturamento até 2016, chegando a US$ 1,5 bilhão.

"A opção da empresa por oferecer ao mercado uma solução mais completa de comunicação tem como objetivo atingir projetos complexos de clientes maiores, onde possamos vender soluções com alto valor agregado", explica Henrique Dornas, da área de Comunicação de Voz da Level 3.

Na região, em 2013, a empresa arrecadou na região US$ 754 milhões com o que ela chama de Core Network Services (CNS), 5,9% a mais do que o volume registrado em 2012.

“Os negócios de dados e internet representam 73% das receitas da Level 3. No Brasil, os resultados por unidades de negócio são semelhantes, puxados por dados e internet, um pouco menos do que o que registramos nos negócios de Data Center, que respondem por 23% das receitas”, diz Marcos Malfatti, vice-presidente da Level 3.

Para atingir a meta de fazer com que o segmento cresça 10% nos próximos dois anos, o dobro da receita atual, a estratégia da empresa colocada em prática neste ano é de apostar nas soluções mais robustas de videoconferência, tendo a vertical de varejo como principal mercado a ser atacado.

Segundo Marcos Bedani, diretor de Produtos de Voz e Colaboração da Level 3, empresas brasileiras que tem o negócio focado em vendas, sobretudo vendas diretas, estão demandando hoje mais soluções que integram vídeo e voz do que no passado por conta da redução de custos que estes serviços costumam proporcionar.

"É um mercado mais maduro do que há dois anos atrás e, além disso, perceberam que podem assitir melhor seus colaboradores que viajam o tempo todo por meio de soluções unificadas", disse o executivo.

De acordo com estudo do Gartner, até 2015 mais de 200 milhões de trabalhadores em todo o mundo terão acesso à videoconferência corporativa em suas mesas de trabalho.

O produto, no caso, é uma solução de videoconferência baseada em MS Lync que é oferecida aos clientes no modelo de serviço, operando com alta disponibilidade no backbone da empresa que interliga Brasil, Peru e Colombia.

O mercado de soluções de UC, no entanto, ainda é algo para a empresa, que tem como destaques em seu portfólio soluções de rede de telecomunicações, distribuição de conteúdo (CDN) e aplicações de performance.

Apostar as fichas em um negócio ainda pouco explorado pela empresa denota um movimento de diversificação de seus serviços em áreas onde ainda não possua penetração de mercado, como é o caso do segmento de UC, dominado por empresas como Cisco, Avaya e Alcatel-Lucent. A consultoria Frost & Sullivan projeta uma taxa de crescimento anual de 20,9% para a América Latina nos próximos anos.

Enquanto a empresa segue na direção das soluções mais robustas, embora sejam ofertadas como serviço, o mercado segue em outra direção quando o assunto é desenvolver plataformas de comunicação.

O movimento percebido atualmente é o de simplificar ferramentas de UC e oferecê-las com acesso via browser de internet. Uma das justificativas é o de que as empresas buscam soluções mais simples de comunicação corporativa e já as encontram no mercado por preços mais competitivos.

Dornas, entretanto, diz que as empresas que ocupam o topo da cadeia, as chamadas "grandes contas", ainda optam por soluções maiores porque oferecem mais segurança na informação e aumentam o poder de colaboração entre funcionários e clientes.

"Optar por oferecer plataformas unificadas instaladas por licenças é algo que surgiu a partir da demanda dos cliente que buscamos e dos quais já atendemos. Percebemos que o controle que eles procuram e a qualidade do serviço é melhor distribuído neste formato de negócio", conclui o executivo.