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Um dia depois da realização dos leilões de frequência para a tecnologia 4G no Brasil, a Nokia anuncia a fabricação de equipamentos para essas redes em território brasileiro.

A produção deve começar até setembro de 2012, e mira nos incentivos do governo aos fabricantes com desenvolvimento e manufatura local.

Segundo a Nokia Siemens, o Brasil é o primeiro país nas Américas a dispor de manufatura local da empresa para a fabricação de estações de rádio base Flexi Multiradio – solução de acesso de rádio para as redes 2G, 3G e LTE – BTS para LTE FDD e LTE TDD.

“Este é um passo muito importante no Brasil e na América Latina em nossa estratégia global de atuação centrada na banda larga móvel”, aponta Eduardo Araujo, presidente da Nokia Siemens Networks para a América Latina.

PELO BNDES
Com a fabricação local, a empresa pode pegar carona nos incentivos à produção e desenvolvimento de equipamentos no Brasil. O BNDES, por exemplo, oferecerá linhas de financiamento para projetos de ampliação da rede 4G que se enquadrem nesses critérios.

Os recursos se destinam à compra de hardware pelas empresas que implementarão a tecnologia.

AS VENCEDORAS
Realizado nessa terça-feira, 12, o leilão das faixas de frequência movimentou R$ 2,56 bilhões.

Com um desembolso somado de quase R$ 1,9 bilhão, Claro e Vivo arremataram as duas primeiras licenças. Além de cobertura nacional, as outorgas terão capacidade disponível de 20 MHz, a maior largura de banda.

No caso da Claro, o lance foi de R$ 844,51 milhões pela primeira licença, uma alta de 34% sobre o preço mínimo (R$ 630,19 milhões) estipulado no pregão.

Já a Vivo levou a segunda licença por R$ 1,05 bilhão, o que representou um ágio de 66,6% sobre o mínimo (R$ 630,19 milhões), após uma disputa com a Oi.

Oi e TIM arrecadaram as outras duas outorgas, de 10 MHZ, com ágio menor. A Oi pagará R$ 330,8 milhões (ágio de 5% sobre o mínimo de R$ 315,10 milhões). Já a TIM venceu com lance de R$ 340 milhões (ágio de 7,9% sobre o mesmo preço mínimo).

HORA DE COMPRAR
Uma vez que tenham as faixas, as operadoras vão ao mercado. Somente a Vivo, calcula investir um total de R$ 24,3 bilhões no Brasil entre 2011 e 2014, já incluso no valor os gastos com o 4G.

Com a infraestrutura para a área rural, o gasto de todas as operadoras deve ficar entre R$ 12 bilhões e R$ 15 bilhões, segundo previsão da Anatel.

ATÉ A COPA
A meta do governo é ter o 4G, ao menos nas cidades-sede da Copa do Mundo, até 2014.

Relatório da empresa de pesquisa em tecnologia Pyramid indica que o Brasil terá mais de 18 milhões usuários do sistema LTE até o final de  2015, apesar do ceticismo de algumas operadoras quanto à capacidade do país para implementar essa tecnologia.

Estudo divulgado pela GSA Association aponta que as implantações comerciais das redes LTE – tecnologia do 4G – em 2011, quase dobraram no mundo frente o ano anterior, passando de 15 para 29.

Segundo a pesquisa da GSA, Evolution to LTE, são 285 operadoras que já têm planos ou estudos em andamento para implantação de redes com a tecnologia de conexão.

A previsão da GSA Association é que ao final de 2012, sejam 119 redes comerciais em 50 países.

No Brasil, o 4G já está operando pela Sky em Brasília, apenas para comunicação de dados por modem. Enquanto o leilão não chega, as operadoras têm se voltado para o HSPA+, ou 3G+, que garante uma velocidade até três vezes maior que a 3G.