CIOs tem medo de se aventurar na IoT. Foto: flickr/7973320@N07

A internet das coisas (IoT) é apontada por muitos experts e consultores como a tecnologia por trás de uma nova revolução tecnológica.

Mas, segundo mostra um relatório recente da consultoria SpiceWorks, os CIOs, executivos responsáveis por implantar projetos na organização, aparentemente (e mais uma vez) parecem acuados frente a possibilidades trazidas por mais essa onda.

A SpiceWorks entrevistou profissionais de TI na tentativa de compreender o que eles têm feito e o que pretendem fazer para criar um ambiente de múltiplos dispositivos e protocolos que rodem conectados às estruturas de rede. O resultado foi que pouca gente tem feito alguma coisa a respeito do assunto.

O estudo, batizado de “The Devices are Coming!”, revelou que 71% dos executivos creem que a internet das coisas afetará tanto o lado de consumo quanto o lado corporativo. Legal. Agora: 59% não atua de maneira ativa para absorver eventuais impactos que isso trará ao negócio das empresas onde atuam.c

Os questionários foram respondidos por 440 CIOs, em sua grande maioria de organizações espalhadas pela América do Norte, Europa e Ásia.

O resultado, apesar disso, talvez não apresente grandes distorções se considerarmos também executivos de TI de empresas da América Latina e do Brasil, que normalmente esperam a consolidação dessas ondas nos mercados “mais maduros” para aplicação por aqui.

“Os profissionais de TI compreendem que IoT é uma realidade inevitável”, comentou Kathryn Pribish, um dos líderes do estudo, em um comunicado, observando que muitos desses executivos que não se movem agora podem ser jogados no vagão da adoção de algo relativo ao conceito puxados pelas àreas de operação e de negócios sem ao menos estarem preparados para tal movimento.

A pesquisa mostrou que 30% dos respondentes trabalham a questão sob um aspecto de melhorar a eficiência de suas redes para uma explosão de tráfego, enquanto 68% disseram que estão investindo em novos equipamentos que os deixem preparados para possibilidade de abrigarem mais dispositivos conectados. Além disso, 63% afirmaram comprar soluções adicionais de segurança para sua redes.

É interessante ver a postura de 70% dos entrevistados que afirmam que as estruturas atuais comportam até dois ou mais dispositivos por usuário, como se IoT fosse algo apenas anexo a consumerização da tecnologia e com reflexos trazidos apenas por quem já está pendurado a suas infraestruturas de TI.

O conceito de internet das coisas não pode ser classificado com totalmente novo. Apesar de rondar pelo mercado há algum par de anos, ganhou mais holofote ao longo dos últimos tempos devido a uma conjunção de fatores – em especial a combinação de nuvem, analytics, mobilidade, dados e consumerização.

Esse ambiente fez grandes representantes da indústria se moverem em direção a um esperado pote de ouro.

No começo do ano, IBM, Cisco, Intel, AT&T e GE anunciaram a criação de um consórcio com a missão de destravar negócios em torno do conceito. Microsoft e Salesforce também já declararam interesse em aproveitar essa nova onda. Recentemente foi a vez da alemã SAP pular nesse barco.

O mercado de IoT é, praticamente, um campo aberto para a indústria com aderência para aplicação do conceito em verticais como governo, logística, manufatura, saúde, telecom e utilities.

Estima-se que, atualmente, apenas 1% das “coisas” do mundo tenha algum tipo de inteligência e conectividade. À medida que esses aparelhos recebem sensores e chips, crescem as oportunidades para agregar aplicações.

Pelo menos três previsões do Gartner para 2014 tem relação direta ou indireta ao conceito: Smart Machines (viveremos o nascimento das máquinas inteligentes); Software-Defined Anything (à medida que uma “coisa” é conectada, precisa receber a camada de aplicação); e o propriamente dito Internet of Everything (produtos conectados e serviços irão gerar uma receita incremental da ordem de US$ 300 bilhões, resultando em US$ 1,9 trilhão em valor adicionado à economia global).

Algumas empresas no Brasil já se antenaram para tentar capturar algumas oportunidades. A PromonLogicalis é um exemplo de integrador que olha com atenção o mercado em busca de oportunidades para aplicação do conceito.

A gaúcha InfraTI também observa esse nicho, já tendo, inclusive, realizado um projeto que adicionou sensores em um projeto de monitoramento e cultivo de árvores em uma fazenda de reflorestamento do Mato Grosso.

Nos últimos tempos, o CIO tornou-se uma espécie de Dom Quixote moderno, lutando contra avanço de conceitos como consumerização, nuvem, social da mesma maneira que o personagem do espanhol Cervantes ameaçava os moinhos de vento que encontrava pelo caminho.

Olhando por essa ótica, é de se entender um pouco porque IoT desperta tanto receito nos líderes de TI, afinal reúne praticamente todos esses conceitos contra os quais esses profissionais mantiveram uma posição reticente ao longo dos últimos anos.

Contudo, na outra ponta, há uma oportunidade imensa de agora, de fato, propor inovação para as empresa na ponta a partir da adoção de tecnologia. O risco de não posicionar-se é cair ainda mais para uma posição de figurante nas novelas corporativas.