Laércio Cosentino, CEO da Totvs. Foto: Divulgação.

A Totvs lançou hoje a Carol, sua plataforma de dados e inteligência artificial. A tecnologia busca aprimorar a propriedade dos dados nas organizações e ampliar a capacidade de análise diante do volume crescente de informações. 

Além disso, a Carol atuará como uma assistente virtual, respondendo perguntas e oferecendo insights de negócios. 

Com a nova tecnologia, duas aplicações para segmentos específicos "powered by Carol" já foram anunciadas: Dicas de Negócios e Retenção de Alunos.

Partindo da Bemacash, solução para ponto de venda voltada aos micro e pequenos varejos, a Carol passou a receber dados das vendas realizadas pelos clientes através de componentes de IoT. 

Com milhões de recibos sendo processados por dia, a primeira ação tomada pela plataforma é o saneamento dos dados. A Totvs explica que somente o produto Coca-Cola, por exemplo, foi registrado de 986 formas diferentes pelos estabelecimentos analisados. 

Utilizando técnicas de deep learning, algoritmos genéticos e redes neurais, a tecnologia consegue entender que todos são refrigerantes produzidos pela mesma empresa com diferentes sabores e tamanhos. 

Depois, o engine de machine learning leva insights de negócios a esses comércios. Desta forma, os empresários podem entender como estão se saindo no seu segmento em comparação aos concorrentes da região, qual a previsão de vendas baseada em eventos externos - como clima e feriados -, entre outros aspectos.

"Os novos clientes concedem à Totvs o direito de recolher todos os dados registrados na plataforma, mas não é permitida a divulgação de forma individual. O cliente pode verificar sua posição no mercado a partir da compilação de todos os dados relativos ao segmento", relata Laércio Cosentino, CEO da Totvs.

Com isso, o executivo acredita apresentar um diferencial em relação a outras plataformas de inteligência artifical que aprendem com o uso dos clientes.

"Diferente de Watson e Alexa, a Carol ajuda o cliente a entender suas informações com a garantia de propriedade dos dados", reforça Cosentino.

A capacidade de aprendizado da Carol também pode ser acelerada a partir das APIs abertas da ferramenta, que permite que empresas ensinem novas habilidades e criem modelos em cima da plataforma. 

Com a ferramenta de Dicas de Negócio da Carol, os varejistas recebem auxílio para tarefas como a precificação de produtos e serviços, que leva em conta informações como o mercado-alvo, concorrência, custos, sazonalidade, entre outros fatores. Com a Carol, ao criar um novo produto no Bemacash, o cliente vai receber uma notificação dentro do próprio software com sugestão de preço.

A novidade destaca a importância da aquisição da Bematech pela Totvs, um negócio de R$ 550 milhões em dinheiro e ações firmado em 2015. A compra trouxe para a Totvs informações abrangentes do segmento de varejo e presença em mais de 500 mil pontos de vendas.

A segunda aplicação da plataforma de IA é a Carol Retenção de Alunos, focada no segmento de educação. A ferramenta foi criada juntamente com uma grande universidade privada de São Paulo, que não teve o nome divulgado.

O processo teve início com a unificação dos dados da instituição através dos conectores da plataforma, que levantou informações de professores, alunos, notas e histórico escolar. 

A partir disso, a Totvs modelou os algoritmos de identificação de evasão escolar, para que a ferramenta pudesse evoluí-los utilizando fontes externas, como redes sociais, plataformas de ensino e outros sistemas (da Totvs ou não, na nuvem ou on-premise). 

O sistema inclui um aplicativo com reconhecimento de voz ou texto que responde a questionamentos sobre quantos alunos correm o risco de abandonar a universidade ou um curso específico e qual o impacto financeiro dessa evasão. 

Além disto, a Carol também apresenta quais alunos têm maior risco de evadir e por quais motivos. O engine de machine learning recomenda também quais ações devem ser tomadas para que o aluno não cancele o seu curso.

Mesmo com as novas aplicações, embarcar a tecnologia de IA em soluções já utilizadas pelo mercado também é uma das apostas da companhia com o lançamento. 

“Aos poucos, todas as soluções Totvs incluirão ciência de dados e inteligência artificial. No entanto, continuamos precisando de pessoas para garantir que os modelos sejam frequentemente melhorados e que a máquina aprenda constantemente. Portanto, o futuro é a combinação entre soluções e plataformas simples e modernizadas em conjunto com inteligência artificial e pessoas”, afirma Vicente Goetten, diretor executivo do TOTVS Labs.

Para isso, a companhia montou uma equipe de cientistas de dados e engenheiros de inteligência artificial com passagens por empresas de outros setores, como aviação e educação. O time foi responsável pelo desenvolvimento da plataforma, coordenado pelo Totvs Labs, laboratório de inovação da companhia no Vale do Silício.

Cosentino acredita que o contexto da plataforma está nas soluções segmentadas. 

“Não acreditamos em soluções genéricas. Por isso, temos cientistas de dados atuando juntamente a cada um dos segmentos da Totvs com objetivo de desenvolver soluções verticalizadas powered by Carol e, assim, resolver os problemas de cada setor e aumentar a capacidade dos nossos clientes”, reforça o CEO.

Após dois anos de desenvolvimento, pesquisas e testes, a Carol continuará sendo enriquecida para ser disponibilizada em definitivo ao mercado, até o final do ano, com mais habilidades e para outros segmentos.

Os preços para utilização da Carol ainda não foram divulgados pela Totvs. Hoje a empresa conta com cerca de 40 clientes utilizando a ferramenta para colaborar com a criação de algoritmos.

No primeiro trimestre de 2017, a receita líquida da Totvs cresceu 1,6%, para R$ 560 milhões. O resultado parece ser um indício de que a gigante brasileira de software de gestão está superando o impacto negativo da crise econômica e das mudanças no seu modelo de negócio.

O resultado é uma virada frente a quatro trimestres consecutivos de queda no faturamento (sempre na comparação com trimestre do ano anterior), que levaram a empresa a fechar o ano passado com uma receita líquida total de R$ 2,2 bilhões, redução de 3,5% sobre 2015. 

Parte da queda foi resultado da recessão econômica do país e outra parte da transição para o modelo de software como serviço, que impacta os resultados imediatos ao transformar os ganhos imediatos do licenciamento em assinaturas mensais.