Fábrica da Foxconn em Jundiaí. Foto: flickr.com/photos/prachatai

A Foxconn parou de montar iPads no Brasil e deve em breve fazer a mesma coisa com os iPhones.

É o que aponta uma matéria da IstoÉ Dinheiro, segundo a qual os funcionários da empresa no Brasil trabalham na desmontagem e venda de máquinas e equipamentos.

Ainda de acordo com a revista, um dos dois galpões alugados pela multinacional taiwanesa em Jundiaí, no interior de São Paulo, já está vazio, destino que logo deve ser o do segundo espaço da empresa.

De acordo com a IstoÉ dinheiro, a crise econômica, a instabilidade política e a baixa produtividade da mão de obra brasileira estão por trás da decisão de sair do país.

Caso confirmado, será um final melancólico para uma empresa que chegou ao Brasil em 2011 em meio a muita fanfarra do que seria uma revolução do setor eletroeletrônico brasileiro.

Ministros do então governo Dilma Rousseff voltaram de uma missão na China falando em investimentos de US$ 12 bilhões e na contratação de 100 mil funcionários em um período de quatro a seis anos.

Já no final de 2013, no entanto, começou a ficar claro que os planos não se concretizariam: a Foxconn queria uma participação de 30% do BNDES na empreitada, além de um sócio brasileiro que não se materializou (o então inevitável Eike Batista chegou a ser cogitado, antes de implodir).

Mesmo a pequena produção de iPads e iPhones, a única no mundo fora da China, não foi isenta de problemas.

O estilo chinês de gestão de recursos humanos (por dizê-lo de alguma forma) não deu muito certo no Brasil, com protestos públicos dos funcionários sobre más condições de trabalho.

Os 2,5 mil empregados na fábrica no interior paulista criticaram o transporte, a comida do refeitório, a chatice do trabalho, e, finalmente a falta de água potável nas instalações.

Para o consumidor, no entanto, o fim da produção não deve trazer maiores impactos. 

Em mais um desdobramento decepcionante da vinda da Foxconn, os preços dos equipamentos da Apple fabricados no país seguiram os mesmos, figurando regularmente nas listas dos mais caros do mundo.