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ESTRATÉGIA

ContaAzul: compra foca contadores

Maurício Renner
// quarta, 13/06/2018 05:27

A ContaAzul, startup que faz sistema de gestão para empresas de pequeno porte, comprou a Wabbi, cujo sistema gerencia escritórios de contabilidade, por um valor não revelado.

Vinícius Roveda, CEO da ContaAzul.

A aquisição é um reforço para a estratégia de aproximação com escritórios de contabilidade que a ContaAzul vem conduzindo pelo menos desde 2015, buscando transformar esse tipo de negócio no seu canal de venda. 

Criada em 2009, a Wabbi tem dois mil clientes e 20 funcionários. Erico Azevedo, fundador da companhia, assumirá o cargo de gerente sênior de produtos do ContaAzul.

Além da Wabbi, foi também fundador do CamadaWeb, um software que tinha funcionalidades de Business Intelligence e modelagem de processos de negócios rodando como uma camada sobre o ERP Protheus da Totvs, um dos mais disseminados entre médias empresas do país.

A aquisição será paga com recursos de um aporte de US$ 30 milhões liderado pelo fundo americano Tiger Global em abril. Desde a fundação, em 2011, a ContaAzul já levantou R$ 150 milhões em quatro rodadas. 

De acordo com informações levantadas pelo Valor Econômico, a companhia atualmente tem 350 funcionários, com expectativa de chegar a 500 no fim do ano, 25 mil clientes e R$ 40 milhões em 2017. A ContaAzul não abre de base de clientes ou faturamento.

A estratégia da ContaAzul é usar a influência dos escritórios de contabilidade, muitas vezes o único prestador de serviço terceiro de pequenas empresas, para alavancar vendas de ERP.

Para isso, o software é oferecido gratuitamente para os contadores, que tem o incentivo de indicar o ContaAzul para os clientes para agilizar o fluxo de informações com seus clientes.

De acordo com o Valor, dos cerca de 70 mil escritórios de contabilidade no Brasil, o ContaAzul tem relação com cerca de cinco mil, por meio de um programa de parcerias que oferece suporte técnico e conteúdo educacional, entre outros benefícios. 

Com essa abordagem, a ContaAzul reduz o custo de captura de novos clientes, um dos problemas em um mercado no qual o “churn” é alto, além de ter uma proximidade maior com os compradores sem a necessidade de investir em recursos próprios.

"Nossa plataforma permitirá, pela primeira vez, que a integração e colaboração em tempo real entre contador e dono de negócio resulte em escritórios de contabilidade mais produtivos na captura e processamento de dados e na geração de obrigações e relatórios”, garante Vinicius Roveda, co-fundador e CEO da ContaAzul.

A companhia vem realizando, desde o ano passado, um roadshow itinerante nas principais cidades brasileiras chamado de Dia D ContaAzul, um evento focado em contadores.

A aposta será aumentada em outubro, quando a ContaAzul promoverá o ContaAzul [CON], que está sendo vendido como "o mais completo evento de contabilidade e tecnologia da América Latina".

O evento terá como um dos destaques a palestra de Doug Sleeter, responsável pela criação do maior evento de contabilidade dos Estados Unidos, o atual Accountex.

O problema é que essa estratégia está sendo usada também por outras empresas, incluindo a Totvs, a maior empresa brasileira de sistemas de gestão.

Em setembro do ano passado, a Totvs lançou o Fly01 Contador, uma versão do seu software de gestão para pequenas empresas a ser oferecido gratuitamente para empresas de contabilidade.

De acordo com dados do Conselho Nacional de Contabilidade, existem no Brasil, só no Brasil, existem 491 mil profissionais registrados e 82 mil escritórios ativos.

Nos últimos cinco anos, houve aproximadamente 170 mil novos registros de profissionais da Contabilidade.

Do total de contadores e técnicos em contabilidade registrados nos 27 Conselhos Regionais de Contabilidade (CRCs), cerca de 135 mil estão na faixa etária de até 35 anos, em tese, profissionais com uma tendência maior a incentivar a adoção de tecnologia nos seus clientes.

Maurício Renner