ENERGIA

Brasil poderá ter apagão ainda em 2021

13/07/2021 12:37

Estimativa é do Centro Brasileiro de Infraestrutura com dados do ONS.

Usina Hidrelétrica de Mauá, localizada no Paraná. Foto: divulgação.

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O Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE Advisory) realizou um cálculo com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e indicou que o Brasil pode enfrentar um apagão ainda em 2021.

De acordo com o site Poder 360, o blecaute deve acontecer se a Média de Longo Termo (MLT) de chuva ficar abaixo dos 61,5% no ano. A média do primeiro semestre fechou em 66% e uma nota do ONS mostra que o percentual pode cair para 62% na próxima sexta-feira, 16.

O índice é utilizado para monitorar o histórico de chuva no país desde 1931 e, se estiver abaixo dos 100%, indica que chove menos do que a média histórica no país.

Em 2021, o percentual tem sido o menor em 20 anos, ao mesmo tempo em que o consumo energético até abril foi o maior desde 2004.

Segundo Bruno Pascon, sócio-fundador e diretor da CBIE Advisory, um crescimento maior do PIB, como o esperado para 2021, significa que seria preciso chover ainda mais para evitar o blecaute.

“Apagões de potência, que são cortes pontuais de energia nos horários de pico de consumo, podem acontecer já a partir de agosto deste ano. A discussão que existe é se haverá necessidade de medidas de racionamento de consumo mandatórias e em qual magnitude“, afirmou Pascon ao Poder 360.

Já Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia, disse que o país não corre risco de ter racionamento de energia.

Em nota, a pasta afirmou que o estudo, que considera um crescimento da economia de 3%, “não indica déficits de energia ou potência nos cenários que incluem as medidas do plano de ação em curso”.

Essas medidas teriam o objetivo de preservar água nos reservatórios de cabeceira para uso nos períodos de maior demanda no final do ano, além de permitir o atendimento da carga mesmo com um crescimento da economia maior que o projetado — ou com uma afluência menor do que a utilizada no estudo do ONS.

Para evitar o colapso das hidrelétricas, o governo acionou as termelétricas a diesel, mais poluentes e com um custo maior de produção. Além disso, diminuiu a vazão de parte das hidrelétricas.

Como consequência, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reajustou a bandeira tarifária 2, a mais cara do sistema de bandeiras, em 52,1%.

Com o aumento, a cada 100 quilowatts-hora consumidos serão pagos R$ 9,49 extras. A alta vale para julho e, em agosto, por haver um novo aumento.

A Aneel também anunciou que pretende firmar parceria com o Governo Federal para deslocar o horário de consumo das indústrias para fora do horário de pico.

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) também adotou uma série de medidas para preservar as principais bacias hidrográficas.

Segundo Alexei Vivan, diretor-presidente da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica (ABCE), o crescimento do consumo de energia e o baixo nível de chuva formam o “maior perigo de desabastecimento” também para 2022.

Com isso, o início do período úmido, no final de 2021, deve ser essencial para retomar os reservatórios, mas ainda não é possível saber como será o nível de chuva nesta época.

Para Vivan, a retomada do consumo gera um risco de situação crítica no fim de 2021, ao ponto do governo precisar “desligar” usinas hidrelétricas para preservar alguns reservatórios.

De acordo com Paulo Arbex, presidente da Associação Brasileira de PCHs e CGHs (Abrapch), a crise energética não é exclusivamente causada pela falta de água, mas pela má administração dos reservatórios das hidrelétricas.

“Todo ano as hidrelétricas entregam uma porcentagem dos MW superior às porcentagens que elas têm da capacidade instalada. Ou seja, nós estamos dilapidando os reservatórios das hidrelétricas há 20 anos”, afirmou Abex ao Poder 360.

Segundo o especialista, a principal diferença do momento atual para o apagão que ocorreu no ano de 2001 é que, hoje, o Brasil possui uma capacidade de geração de energia por termelétricas de 37 mil MW, o que não existia na época.

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