João Alcione Sganderla Figueiredo. Foto: Divulgação/Feevale.

A Feevale terá o primeiro mestrado voltado para a área da indústria criativa.

As inscrições para a formação, que acaba de ser aprovado pela Capes, poderão ser feitas entre outubro e novembro deste ano. O tempo de titulação previsto é de 24 meses. É o quinto mestrado oferecido pela instituição.

O plano da universidade de Novo Hamburgo é atingir dois grandes grupos: os chamados “criativos”, comunicadores, cineastas, game designers, músicos, artistas, arquitetos, profissionais da computação, educação e outros; e os “gestores”, profissionais que projetam, gerem e executam negócios.

A meta é formar profissionais que tenham perfil de gestão para conduzir as diferentes áreas e para a criação de desenvolvimento de produtos da indústria criativa, além de serem capazes de perceber e avaliar os impactos desse segmento na sociedade e atuarem no ensino e na pesquisa.  

Serão duas as linhas de pesquisa. A primeira, chamada Conteúdos Criativos, terá o objetivo compreender os conteúdos, formatos, processos de produção e produtos de comunicação, arte, jogos e aplicativos pensados a partir das lógicas de exploração de conteúdo cultural.

A segunda será denominada Gestão e Inovação, sendo centrada no estudo das práticas e do modelo de gestão da indústria criativa, investigando questões relacionadas a planejamento, marketing, inovação, finanças e propriedade intelectual envolvidos no seu desenvolvimento.

“É uma resposta sinérgica às políticas nacionais e aos novos arranjos produtivos apontados pelo estado do Rio Grande do Sul e, especificamente, da região metropolitana de Porto Alegre e do Vale do Rio dos Sinos” afirma o  pró-reitor de Pesquisa e Inovação da Feevale, professor João Alcione Sganderla Figueiredo.

Recentemente, o governo gaúcho lançou editais totalizando R$ 12,1 milhões para incentivar a indústria criativa no estado.

Do total,  R$ 7,7 milhões são de verbas do Ministério das Comunicações operadas pela Fapergs, destinadas a uma universidade com um parque tecnológico interessada em criar um laboratório com recursos para uso compartilhado por empresas do setor.

Trata-se de um programa piloto do ministério para incentivar o setor sendo executado no momento no Rio Grande do Sul e Pernambuco. Outra verba de R$ 4,4 milhões tem como destino as empresas da área.

As universidades com um trabalho mais adiantado na área no Rio Grande do Sul são a Feevale e a PUC-RS, que estabeleceu a indústria criativa como uma das prioridades da chamada terceira fase de expansão do Tecnopuc, em Viamão.

Indústria criativa é uma definição abrangente, que pode incluir a geração de produtos em soluções em uma ampla gama de áreas, indo desde arte, design e jogos digitais até filme e vídeo, passando por software, computação e telecom.

De acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro – Firjan, o Rio Grande do Sul possui 18 mil empresas que utilizam as ideias como principal insumo de produção.

Com base na massa salarial gerada por essas empresas, estima-se que o núcleo criativo gaúcho gere 1,9% de tudo que é produzido no Estado.

Isso equivale a um PIB de 5,2 bilhões de reais por ano, o que coloca o Rio Grande do Sul como o quinto maior estado brasileiro na produção de bens e serviços criativos.

Pela ótica do emprego, o estado é o líder da região Sul em número de profissionais criativos (50 mil), conquistando o quarto lugar no país.