TI ensaia discurso único.

A Abes e Assespro Nacional se uniram à Brasscom e agora são signatárias do documento batizado “Por um Brasil Digital e Competitivo”, que reúne 50 demandas de empresas do setor de TI.

O objetivo é romper a tendência tradicional de que cada entidade apresente suas demandas por separado.

O anúncio foi feito nesta quarta-feira, 13, durante a 4ª edição do ABES Software Conference – Ambiente de Negócios em TI. 

A Brasscom não libera a íntegra do documento para a imprensa, mas ele inclui a desoneração tributária para os investimentos e a operação de centros de dados, a simplificação dos Processos Produtivos Básicos (ou PPB, o regime que concede incentivos fiscais à produção de equipamentos no Brasil) e a aceitação de propriedade intelectual como garantia para financiamentos bancários e os incentivos à inovação tecnológica.

A intenção reside em fortalecer a cadeia produtiva de tecnologia tratando aspectos relacionados a relações de trabalho, marco regulatório da terceirização, formação de mão de obra. 

As entidades reforçam o papel do estado enquanto agente de fomento e gerador de demanda, e também, como “ferramenta para promover e consolidar marcas e tecnologias nacionais”.

As propostas já foram apresentadas pela Brasscom aos comitês de campanha do candidato à presidência Eduardo Campos (PSB), falecido nesta mesma quarta em um acidente aéreo em Santos e a Alexandre Padilha (PT), candidato ao governo de São Paulo.

Estão previstas apresentações ao comitê de campanha da Presidente Dilma Rousseff (PT) e o candidato à Presidência da República, Aécio Neves (PSDB), bem como outros candidatos a governos estaduais, parlamentares e membros da atual Administração Pública.

Com a adesão da Abes e Assespro Nacional, a Brasscom coloca por trás da suas propostas parte mais importante da A Frente Nacional de Tecnologia da Informação (FNTI), que representa associações do setor como Assespro, Abes, Softex e Sucesu.

A combinação de forças é interessante. A Abes tem mais de 1,5 mil empresas associadas em 21 estados, empregando 100 mil pessoas e com faturamento de US$ 14 bilhões por ano. 

Sua principal causa é o combate a pirataria de software e a defesa do modelo proprietário como base para a estratégia de desenvolvimento de tecnologia nacional.

Já a Assespro Nacional tem 1,4 mil associadas, grande parte delas pequenas e médias empresas. No final do ano passado, a entidade começou a se organizar como uma federação, como qual pode abarcar no seu guarda chuva outras entidades de TI setoriais ou regionais.

A Brasscom tem muitos menos associados, mas muito mais musculatura que as duas entidades. Dados da entidade apontam que seus 37 associados representam algo como 70% do PIB de TI do Brasil, incluindo nomes como Accenture, IBM, Politec, Softtek, TCS, Capgemini, Totvs e Unicamp.

“É de suma importância que nossas lideranças políticas, administrativas e da sociedade em geral se conscientizem da relevância da tecnologia da informação e comunicação, tanto pelo peso econômico, como também pelo seu papel transformador”, avalia Sergio Paulo Gallindo, presidente da Brasscom

O executivo julga que é crítico que se façam reformas que melhorem a competitividade do ambiente de negócios, com segurança jurídica, financiamento e carga tributária adequada.

“Incentivar os investimentos em P&D, inovação, formação de mão de obra e infraestrutura, serão fundamentais para que tenhamos o salto de produtividade que o Brasil precisa para alcançar o seu desenvolvimento pleno”, adiciona Jorge Sukarie, presidente da Abes.

Se fosse para resumir, o executivo cita que a intensão da iniciativa reside em colocar o setor TI e telecom como prioridade entre as políticas industriais do país.

A Assespro engrossa o coro, embora com um tom mais “sangue nos olhos”, enfatizando a necessidade de que haja uma “revolução” da base para o topo da cadeia industrial.

"O presente plano está acompanhado das respostas que o setor dará ao país se atendidas as presentes reinvindicações, então mais do que propostas estamos apresentando um compromisso público do Setor, com o desenvolvimento do Brasil", avalia o presidente da entidade, Luís Mário Luchetta.

O Brasil é o quinto maior mercado de TIC do mundo. De acordo com as entidades, move aproximadamente R$ 441 bilhões, representa 8,8% do PIB nacional, emprega cerca de 1,5 milhão de pessoas.

Com relação aos impactos da proposta, a expectativa é que – se colocado em prática – elevarão a indústria para 10,7% do PIB, dobrando o número de empregados e elevando à R$ 12 bilhões o volume de exportações até 2022.

“Empreendedorismo e inovação são recursos inesgotáveis na solução de problemas e podem protagonizar a transformação econômica de qualquer país. Nesse contexto, uma política eficiente de incentivo às startups brasileiras é prioridade para o futuro da indústria nacional de TIC”, afirma a entidade.

Em países como Israel, onde 400 startups surgem a cada ano,  aproximadamente 5% do PIB são investidos em pesquisa e desenvolvimento. No Brasil esse índice é pouco mais de 1%, compara o documento que trata do projeto.

Um mercado de US$ 61,6 bi

O mercado interno de tecnologia da informação movimentou US$ 61,6 bilhões no Brasil em 2013, de acordo com a Abes. O montante considera hardware, software e serviços e representa uma evolução de 15,4% sobre o desempenho do ano anterior.

O segmento de software cresceu 13,5% e fechou o ano na casa dos US$ 10,7 bilhões. O setor de serviços chegou a US$ 14,4 bilhões, crescendo 7,7%. As vendas de hardware representaram US$ 36,4 bilhões dos negócios da indústria.

A indústria de tecnologia responde por 2,74% do PIB nacional. O Brasil representa 47,4% do mercado de TI da América Latina (estimado em US$ 130 bilhões) e 3% do setor no mundo.

A Região Sudeste concentra 63,9% do mercado nacional, seguido do Centro-Oeste (13,2%), Sul (12,3%), Nordeste (8,4%) e Norte (2,1%).

A Abes estima que o mercado nacional é explorado por 11,230 empresas dedicadas ao desenvolvimento, produção, distribuição de software e prestação de serviços. Desse total, 93% são enquadradas como pequenas e médias (PMEs).

O Brasil, também, exportou US$ 1,7 bilhão – o que eleva o total movimentado por tecnologia da informação a US$ 62,7 bilhões.

O mercado de telecomunicações girou US$ 100,9 bilhões ao longo do último ano. “Outros serviços” (que incluem BPO, consultoria de negócios, operações internacionais) movimentou US$ 8,4 bilhões. Além disso, TI in house (desenvolvida pelos departamentos de tecnologia das organizações) representou algo próximo a US$ 53,4 bilhões.

O mercado total de TIC no Brasil (fruto da soma das movimentações domésticas, exportações, software, hardware, serviços, telecom e TI in house) movimentou US$ 222,66 bilhões ao longo de 2013.