A chinesa detém 25% do mercado nacional, com 1,5 GW de módulos comercializados. Foto: divulgação.

A BYD, multinacional chinesa especializada em energia limpa, inaugurou em Campinas, no interior de São Paulo, sua primeira usina fotovoltaica voltada exclusivamente para Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) no país.

Com um investimento de R$ 7 milhões em equipamentos, a usina foi construída dentro do conceito da indústria 4.0, com o grupo Royal FIC e o Instituto Eldorado. 

Segundo a empresa, a nova fazenda solar possui uma estação meteorológica completa e será dedicada ao estudo dos mais diversos tipos de módulos fotovoltaicos em solo tropical e a fazer a integração com sistemas de armazenamento de energia e inversores.

No local, serão testados novos materiais e aplicações, assim como as principais tecnologias fotovoltaicas em produção no país, desde os módulos poli e mono-PERC, half cell, bifaciais, vidro-vidro e suas aplicações em diferentes tipos e tamanhos de sistemas de armazenamento com baterias de lítio-ferro (LFP). 

A meta da BYD é simular os efeitos e impactos dos diferentes climas brasileiros na durabilidade das tecnologias no Brasil.

Todos os equipamentos instalados na usina fornecem dados a um sistema supervisório central, com um software responsável por unir todas as informações que são monitorados remotamente.

“A BYD sempre investe em inovação e desenvolvimento de novas tecnologias localmente. No Brasil, essa usina laboratório será o maior ecossistema de inovação e pesquisa em energia solar fotovoltaica do país”, afirma Adalberto Maluf, diretor de marketing e sustentabilidade da BYD do Brasil.

O projeto começou a ser idealizado em 2018, a partir da inclusão da BYD no Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores e Displays (PADIS), incentivo fiscal federal do MCTIC.

O escopo da pesquisa foi desenvolvido pelo Instituto Eldorado, que também ficará responsável pela coleta de dados, análises e conclusões dos estudos.

“Este investimento é muito importante para a pesquisa do setor fotovoltaico no país, desenvolvendo conhecimento e competência tecnológica”, ressalta Joaquim Carlos, gerente de P&D do Instituto Eldorado.

A construção foi realizada com a TMW Energy, do grupo Royal FIC, que cedeu parte do terreno e ficará responsável também por fazer a manutenção e segurança do local. Em contrapartida, a BYD vai ceder à empresa a energia gerada pela estrutura.

O grupo acaba de instalar em um terreno ao lado, uma usina com capacidade de 4,75 MW, toda construída com módulos BYD de fabricação nacional, que será dedicada a um projeto da Telefônica Brasil.

Tanto a estrutura da BYD, quanto a da TMW Energy foram implementadas pela Alsol.

A fazenda solar de P&D da BYD terá capacidade de 500 kW, que serão gerados a partir de uma ampla gama de tecnologias em módulos fotovoltaicos: monocristalino PERC e policristalino, convencional e vidro-vidro.

Os painéis também foram instalados em diferentes métodos com trackers, ou segue o sol, estrutura fixa metálica e estrutura fixa de eucalipto em alturas e ângulos de inclinação diversos.

A usina também possui um car port, estacionamento com telhado fotovoltaico capaz de gerar energia para abastecimento de automóveis, em um modelo maior, para testar a capacidade de geração para o abastecimento de ônibus.

Além disso, tem instalado um ESS, container com 630 KW/h de capacidade de armazenamento e diversos tipos de inversores, de diversas empresas.

Nos últimos anos, o Brasil tem crescido de forma rápida neste mercado. Segundo apuração da Absolar, o país passou da 21ª posição, para 16ª posição no ranking mundial da fonte solar fotovoltaica.

A BYD detém 25% do mercado nacional, com 1,5 GW de módulos comercializados.

Presente nos seis continentes, a companhia tem operações em mais de 300 cidades de 50 países, com mais de 220 mil funcionários distribuídos em mais de 30 fábricas, sendo 20 mil deles engenheiros pesquisadores que já desenvolveram acima de 24 mil patentes.

No Brasil, a BYD abriu sua primeira fábrica em 2015, para produção de chassis de ônibus elétricos e comercialização de veículos e empilhadeiras, também em Campinas. Em abril de 2017, inaugurou sua segunda planta, para produção de módulos fotovoltaicos.

A empresa também é responsável por dois projetos de monotrilho no país: em Salvador, com o VLT do Subúrbio, e na cidade de São Paulo, com a Linha 17 - Ouro.

Ainda em 2020, a BYD deve inaugurar sua terceira planta fabril em Manaus, para a produção de baterias. A BYD Brasil conta com 365 funcionários nas cidades de Campinas, São Paulo, Salvador, Manaus, Vitória, Curitiba e Rio de Janeiro.