Luis Gonçalves, presidente da Dell Brasil.

A Dell fechou o primeiro semestre com uma participação de 21% no mercado brasileiro de PCs, consolidando a liderança obtida no primeiro trimestre de 2015.

O número é do relatório Brazil PC Tracker 2016Q2, que acaba de ser divulgado pela consultoria IDC. Quando assumiu a ponta, a Dell tinha 15,8% de participação.

De acordo com nota da Dell, a empresa teve um crescimento de 68,5% na participação no segmento nos últimos dois anos, na comparação entre o segundo trimestre de 2014 e 2016.  

A Dell não divulgou os dados de participação dos seus concorrentes, mas é possível supor que a empresa está ampliando a dianteira frente ao seu principal concorrente brasileiro, a Positivo.

No terceiro trimestre de 2014, quando a Positivo fez a última divulgação de dados da IDC, a companhia havia atingindo um market share de 16,6%, um incremento de 1,5 ponto percentual frente ao trimestre anterior que a colocava na liderança do mercado.

Só que muita água passou por debaixo da ponte desde então. A Positivo teve uma queda de 20% na sua receita líquida no ano passado, ficando em R$ 1,84 bilhão.

A empresa também viu o seu EBITDA cair 37%, para R$ 90,1 milhões e entrou no vermelho, saindo de um lucro líquido de R$ 23,3 milhões para um prejuízo de R$ 79,9 milhões.

Foi o segundo ano de resultados ruins da Positivo, que já havia tido queda de receita de 9,2% em 2014 frente a 2013. 

“O segmento de computadores continua a ser um pilar importante da estratégia no país. Isso porque, a venda desses equipamentos é uma importante porta de entrada para a oferta do portfólio completo de soluções de TI da Dell”, explica Luis Gonçalves, presidente da Dell Brasil.

A liderança da Dell é resultado da convergência de fatores de longo e curto prazo. A construção da presença no varejo começou ainda em 2007, quando a empresa fechou um acordo com a rede Wal-Mart, encerrando sua estratégia de vender exclusivamente produtos customizados online.

No começo do ano passado, quando o dólar disparou moeda americana disparou mais de 30%, batendo na casa dos R$ 3,30 a indústria de PCs como um todo se viu em um aperto.

De acordo com fontes ouvidas pelo Baguete, a Dell se saiu melhor que a média por ter feito operações de edge prevendo a alta, conseguindo com isso segurar mais os preços.

Ganhar share é a única maneira de faturar mais no mercado de PCs, que está em processo de derretimento no Brasil ao longo do último ano e meio.

Para 2016, a IDC estima que sejam comercializados 4,6 milhões de computadores, ou seja, 31% a menos do que em 2015.