Bernard Charles, CEO da Dassault Systemes.

A Dassault Systemes, gigante francesa conhecida por suas soluções de CAD e PLM que deve faturar 2,08 bilhões de euros em 2013, está passando por uma transformação do seu posicionamento no mercado, tornando-se uma empresa de aplicações empresariais.

O novo posicionamento, inclui a entrada em novos segmentos para a empresa, além da tradicional presença em engenharia e design de produto para mercados até agora fora do alcance como gestão de marketing, logística, supply chain e até mesmo área financeira, algo impensável há alguns anos.

“Até dois anos atrás éramos muito mais uma empresa de tecnologia. Hoje somos muito mais orientados a negócios”, resume Bernard Charles, CEO da Dassault Systemes.

Um aspecto central do reposicionamento, martelado constantamente durante o Customer Forum 3DExperience aberto em Las Vegas nesta terça-feira, 12, é o branding dos softwares da marca sob o  conceito 3DExperience, uma plataforma sob a qual estão os tradicionais softwares Catia, SolidWorks, Delmia, Simulia, NetVibes e outros.

O chamado 3DExperience é a plataforma sob a qual os softwares e apps relacionados funcionando rodam, tanto localmente como em nuvens privadas e públicas em data centers da Dassault Systemes com capacidade extra para os picos de uso provida pela Amazon Web Services.

Este é o instrumental técnico, mas Monica Menghini, VP de Marketing da Dassault e uma das principais cabeças por trás do planejamento estratégico para a próxima década posto em prática em 2011, faz questão de colocar o posicionamento em termos de negócios.

“O 3DExperience não é um conceito de TI ou sobre design 3D. É uma maneira de aproximar pessoas e ideias das empresas. Numa economia da experiência, produtos não são mais suficientes”, explica executiva, que veio para a Dassault em 2007 com passagens pela gigante de propaganda Saatchi & Saatchi e Procter and Gamble, onde gerenciou 20 marcas diferentes.

O conceito de economia de experiência, a ideia de que os consumidores estão dispostos a pagar mais por produtos e serviços costumizados e em constante mudança, é a chave para entender a mudança em curso na Dassault Systemes, que se tornou uma gigante em um tipo de economia e consumidor mais tradicional.

Em seu keynote no Customer Forum 3DExperience Monica citou alguns exemplos dos novos campos de atuação da empresa, assim como seus usuários tradicionais estavam usando a tecnologia da companhia para entrar no mundo da economia da experiência.

No que tange a novas áreas, o mais interessante foi o uso de soluções de simulação, antes restritas ao teste de materiais em manufatura, como uma ferramenta de análise de crédito por parte de uma startup inglesa selecionada em uma competição bancada por gigantes do setor financeiro mundial como HSBC e JPMorgan.

Também foram mostrados cases de clientes mais tradicionais como a fabricante de carros elétricos Tesla Motors, que tem dentro do 3DExperience funcionalidades típicas de softwares de gestão, podendo analisar localização e consumo de frotas de carros de aluguel, ou a Celio, uma varejista francesa que usa a plataforma ao estilo de um BI para gerenciar a rentabilidade das roupas desde o processo de fabricação.

A entrada no mundo do software empresarial começou na verdade antes mesmo da aparição do conceito de 3DExperience, quando a Dassault Systemes desembolsou US$ 600 milhões em 2010 para comprar a divisão de PLM da IBM, então o termo da moda, levando junto uma série de executivos de alto calibre no meio.

Hoje líder no seu mercado de acordo com análise do Gartner, a Dassault Systemes enfrentará concorrentes entrincherados em todos os novos mercados que se propõe a atuar. Será o teste para saber se a visão comercial por trás do 3DExperience funciona na prática.

Maurício Renner cobre o Customer Forum 3DExperience em Las Vegas a convite da Dassault Systemes.