Marcelo Landi. Foto: Baguete.

A Autodesk decidiu entrar com força total no e-commerce no Brasil, colocando na sua loja virtual toda a linha de produtos disponível no seu portfólio.

O comércio eletrônico da gigante de softwares de design, engenheira e arquitetura começou devagarinho há dois anos com produtos mais baratos como AutoCad LT, Inventor LT e Schetckbook Pro.

No ano passado, foram adicionados os carros-chefe AutoCAD, Autodesk Maya e Autodesk 3D Max. Agora, entraram as chamadas suítes, pacotes de produtos que podem ter licenças permanentes na faixa dos R$ 20 mil.

Provavelmente, a estratégia gradativa da Autodesk foi desenhada para não assustar os canais, que poderiam sentir nesse canal de venda uma intromissão no seu mercado. A multinacional faz questão de frisar que não é esse o caso.

“A ideia é vender poucas licenças para empresas ou até profissionais individuais. É um mercado no qual nós nunca fomos muito competitivos. O canal segue focado em clientes que precisam de consultoria e treinamento”, explica Marcelo Landi, presidente da Autodesk Brasil.

O discurso de Landi é secundado pelo fato da Autodesk ter quase dobrado seu canal no Brasil nos últimos três anos, saltando de 30 para 53 parceiros (em parte, o grande número se justifica porque os canais são especializados em cada uma das três áreas de atuação).

Quando à entrada em empresas menores, Landi confia no impacto positivo da abolição do modelo de licenciamento perpétuo, prevista para ser 100% implementada no Brasil em fevereiro do ano que vem (seis meses antes do que no resto do mundo, onde parte dos softwares serão vendidos até agosto).

Depois disso, só restará o modelo de subscripção, no qual o cliente pode decidir se pagar um valor mensal, trimestral ou anual pelo uso do software. 

É um movimento ousado da Autodesk, que foi um dos primeiros grandes players desse mercado a apostar na nuvem e em SaaS. Agora que outros concorrentes começam a oferecer a opção, a companhia dá elimina o licenciamento perpétuo.

“Assim as empresas podem embutir o custo do software dentro dos projetos que estão entregando. Eu já ouvi muitos clientes que adiavam a decisão de compra porque os produtos Autodesk tinham o custo de um carro popular”, brinca Landi.

A decisão de antecipar o fim do modelo de licenciamento perpétuo no Brasil foi tomada a pedido da direção da subsidiária brasileira, afirma Landi. 

A gestão local também garantiu com a matriz uma campanha de descontos para amenizar a alta do dólar, com porcentagens variando entre 22% e 47% de acordo com o produto.

Landi está cacifado na Autodesk. O ex-country manager no Brasil da Citrix entrou na empresa em 2013, meses depois da Sonda comprar a PARS, que até então dominava a distribuição da multinacional no país.

Desde então, Landi diversificou o canal, o tipo de software vendido pela Autodesk no país e as regiões geográficas onde ele é vendido. 

No ano fiscal de 2015, encerrado em fevereiro, a venda de licenças do Autocad representou pela primeira vez menos de 50% da receita da Autodesk no Brasil. Há cerca de dois anos, esse número estava em 80%.

Em 2014, 60% do faturamento da empresa veio de outras regiões além do eixo Rio - São Paulo. Há cerca de dois anos, esse índice ficava em aproximadamente 20%.

A Brasoftware, canal da Autodesk, deixou de ser credenciada apenas para São Paulo e começou atender o Nodeste e Brasília em 2014. Celso Previdelli, um ex-VP de vendas da LG e general manager da AMD no Brasil, foi contratado como o primeiro diretor de canais para a América Latina.

Tudo isso agregou nos números. O ano fiscal de 2015, encerrado em fevereiro, foi o melhor para a Autodesk no país em termos de receita em 20 anos de história no país, com crescimento de 29% no faturamento. 

 A empresa não divulga valores conquistados no Brasil, mas o ritmo de crescimento é bem acima da média. Globalmente, a Autodesk faturou US$ 2,5 bilhões no ano passado, uma alta de 18% em relação ao ano anterior.